Lucas Jacuneli morreu na noite do último domingo (18), após se envolver em um acidente no cruzamento da Avenida Norte-Sul com a Rua Mogi Guaçu, em Campinas. Ele foi socorrido em estado gravíssimo e encaminhado ao Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, mas não resistiu aos ferimentos.
Bolsista em uma faculdade de Direito, Lucas sonhava em seguir carreira na magistratura e se tornar juiz. A mãe, Luciane Cristina de Oliveira, descreveu o filho como um jovem doce e responsável e relembrou o momento em que ele contou, ainda pequeno, qual profissão gostaria de seguir. “Lembro que ele era pequenininho, estava jogando videogame, como ele sempre gostou, aí me chamou e falou ‘Mãe, já sei o que vou ser quando crescer, vou ser juiz’”, relatou.
Ao falar sobre como acredita que o filho reagiria à situação, Luciane afirmou que, se estivesse vivo, ele reconheceria o erro e diria que não houve intenção. Segundo ela, Lucas entenderia o ocorrido como uma situação em que estava no lugar e no momento errados.
Legado do filho
“Por onde passava, ele deixava o perfume. Tanto que, no funeral, foi possível ver quantas pessoas compareceram e prestaram homenagens. Ele construiu um legado que nem eu conhecia por completo e pude perceber isso ontem, ao receber os abraços e o carinho dos amigos, do reitor da faculdade e dos irmãos da igreja que frequentava”, comentou.
A ligação com a igreja fazia parte da rotina de Lucas desde a infância, quando tocava violino aos domingos. De acordo com Luciane, durante a adolescência e a juventude, ele viveu novas experiências sem consumir bebidas alcoólicas. Ela também relatou que o jovem comprou uma moto com o próprio dinheiro e afirmou que ele nunca havia participado de rachas.
Sobre o acidente, a mãe lamentou as circunstâncias em que o filho se envolveu no episódio. “Infelizmente, ele estava ali num momento errado, numa hora errada, e teve essa fatalidade”, declarou.
Luciane também decidiu se manifestar publicamente para contestar as declarações feitas sobre o filho e defender sua memória, apesar da dor pela perda. Ao comentar o episódio, ela ponderou sobre os erros cometidos na juventude. “Às vezes, existe a situação de a pessoa querer fazer por fazer, mas eles foram pela primeira vez. Quem nunca errou?”, afirmou.
Histórico do acidente
O acidente ocorreu no cruzamento da Avenida Norte-Sul com a Rua Mogi Guaçu, em Campinas. Lucas Jacunelli e os amigos estavam em um Fiat Fastback que trafegava em velocidade superior ao limite de 60 km/h permitido na via, quando o veículo colidiu contra a lateral de um ônibus do transporte público.
Além de Lucas, Caio Tauan e Murilo Henrique, que também estavam no carro, morreram no local. Imagens de câmeras de segurança registraram o Fiat Fastback sendo seguido por um Ford Focus preto. A partir dos registros, a Polícia Civil passou a investigar a hipótese de uma disputa de velocidade, conhecida como racha, entre os dois veículos.
Após a colisão, o motorista do Ford Focus deixou o local. O carro foi localizado e apreendido pela polícia, enquanto os ocupantes negaram participação em uma possível disputa de velocidade.
Como parte das investigações para esclarecer a dinâmica do acidente, a perícia recolheu os celulares dos envolvidos, que serão submetidos à análise técnica.




