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Bairros mais perigosos de Campinas: Centro lidera ranking de ocorrências

Levantamento da plataforma Crime Brasil, com base nas estatísticas oficiais da SSP-SP, revela os bairros com mais registros policiais em Campinas no último ano

“O Centro da cidade carrega muita história, mas não é mais o mesmo de quando eu vim morar aqui.” A frase da auxiliar administrativa Lúcia Santos, de 47 anos, resume a percepção de quem vive no bairro que concentra o maior número de ocorrências criminais em Campinas.

Moradora da região central há mais de 15 anos, ela conta que evita sair sozinha à noite e mudou hábitos por causa da insegurança.

“Eu acho perigoso andar à noite e sair para resolver alguma coisa na rua. Me sinto insegura nesses horários porque já fiquei sabendo de muita coisa que aconteceu por aqui, então tenho medo, sim”, afirma.

A sensação relatada por Lúcia é respaldada pelos números. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o Centro registrou 2.082 ocorrências, liderando o ranking dos bairros com mais registros policiais em Campinas.

No Cambuí, segundo colocado, com 591 ocorrências, o comerciante João Barbosa, de 52 anos, afirma que a criminalidade também tem impactado o dia a dia dos empresários.

“Entraram na minha loja duas vezes nos últimos dois anos e isso me causou prejuízo. Não foi só no meu comércio que aconteceram casos assim. O Cambuí é um bairro tradicional, frequentado por famílias, idosos e crianças, mas as coisas não são mais como antes”, relata.

Já na Vila Industrial, terceira colocada, com 378 registros, a jovem Raquel Costa de 23 anos, moradora que vive no bairro há quatro anos afirma que evita determinadas áreas próximas à Rodoviária e aos corredores do BRT.

“Dependendo do lugar e do horário, eu prefiro não passar por algumas regiões. Há muita circulação de usuários de drogas e isso acaba gerando insegurança. A gente acaba mudando hábitos e evitando determinados lugares, principalmente à noite”, conta.

Os relatos ajudam a explicar os números de uma cidade que registrou 23.103 ocorrências criminais no último ano, o equivalente a uma taxa de 1.945 casos por 100 mil habitantes, cerca de 8% acima da média do Estado de São Paulo.

De onde vêm os dados

Para esta reportagem, foram analisados os dados de ocorrências policiais referentes ao período de agosto de 2025 a julho de 2026, intervalo mais recente disponibilizado pela plataforma Crime Brasil, com base nas estatísticas oficiais da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP).

Os números consideram os boletins de ocorrência registrados pelas forças de segurança e permitem identificar os bairros que concentram maior volume de registros criminais na cidade.

Como interpretar o levantamento

O ranking utiliza o número absoluto de ocorrências registradas em cada bairro.

Especialistas destacam que a lista não representa, necessariamente, os locais com maior incidência de crimes violentos, já que regiões com grande circulação de pessoas e intensa atividade comercial tendem a concentrar mais registros de furtos e roubos.

Mapa destaca as regiões do Centro, Cambuí e Vila Industrial, bairros que registraram o maior número de ocorrências em Campinas, segundo levantamento baseado em dados da SSP-SP. Foto: Google Maps.

Os 10 bairros mais perigosos de Campinas em número de ocorrências

De acordo com os dados da SSP-SP, compilados pela plataforma Crime Brasil a partir das estatísticas oficiais do Estado, o Centro lidera o ranking dos bairros com mais ocorrências em Campinas, com 2.082 registros, seguido pelo Cambuí (591) e pela Vila Industrial (378).

Na sequência aparecem:

  1. Centro – 2.082 registros;
  2. Cambuí – 591;
  3. Vila Industrial – 378;
  4. Cidade Universitária – 326;
  5. Cidade Satélite Íris – 322;
  6. Botafogo – 297;
  7. Vila Itapura – 296;
  8. Ponte Preta – 278;
  9. Jardim do Trevo – 260;
  10. Nova Campinas – 247.

Embora o levantamento seja baseado no número de boletins de ocorrência registrados, especialistas explicam que regiões centrais e comerciais costumam concentrar mais crimes patrimoniais devido ao grande fluxo de pessoas.

Furto é o crime que mais preocupa

Dos mais de 23 mil registros feitos em Campinas entre agosto de 2025 e julho de 2026, 14.095 foram de furtos, representando seis em cada dez ocorrências na cidade.

Na sequência aparecem:

  • Lesão corporal: 3.358 casos;
  • Roubo: 2.929;
  • Tráfico de drogas: 717;
  • Estupro de vulnerável: 156;
  • Homicídios: 135.

Os dados também mostram que a taxa de crimes graves caiu 24% nos últimos três anos, embora Campinas ainda apresente indicadores superiores à média estadual.

Imagem: reprodução

Especialista vê avanços e desafios

Para o advogado e especialista em segurança pública Rômulo Alves, a cidade vive um cenário de contrastes.

“Campinas apresenta um cenário de segurança pública com duas realidades distintas. De um lado, houve uma redução importante nos crimes patrimoniais, resultado do investimento em inteligência e integração das forças de segurança. Por outro, o aumento dos casos de estupro de vulnerável e as oscilações nos homicídios mostram que ainda existem desafios significativos, especialmente em regiões mais vulneráveis. A segurança pública precisa ser tratada de forma ampla, unindo repressão qualificada, prevenção e políticas sociais”, afirma.

SSP destaca redução dos crimes patrimoniais

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que trata com absoluta prioridade a prevenção, o acolhimento às vítimas e a investigação rigorosa das denúncias.

A pasta também destacou que a redução dos crimes contra o patrimônio reflete investimentos em inteligência, tecnologia e reforço do policiamento ostensivo e investigativo, além do acompanhamento dos homicídios por meio do programa SPVida.

Serviço:

O Painel Estatístico da SSP-SP disponibiliza dados atualizados sobre a criminalidade em Campinas e em todo o Estado.

Em situações de emergência, o telefone da Polícia Militar é o 190, enquanto denúncias anônimas podem ser feitas pelo 181 ou pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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