Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep, trazem um panorama de crescimento histórico para a educação brasileira, atingindo os maiores patamares da série iniciada em 2005 em todas as etapas avaliadas.
Na Região Metropolitana de Campinas (RMC), os dados confirmam uma tendência de melhora gradual nos anos iniciais, enquanto os anos finais e o ensino médio permanecem como os principais focos de atenção.
Panorama geral: o desempenho estadual e o contexto nacional
Em nível nacional, o Ideb da rede pública saltou de 5,7 para 6,1 nos anos iniciais (1º ao 5º ano), superando as metas estabelecidas. Contudo, no ensino médio o avanço foi mais tímido, passando de 4,1 para 4,3.
No estado de São Paulo, onde se localiza a RMC, os desafios de aprendizagem são evidenciados pelos níveis de proficiência do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica):
- Língua Portuguesa: o estado situa-se no Nível 3, em que os alunos conseguem identificar temas centrais, mas ainda falham em diferenciar fatos de opiniões em textos mais complexos.
- Matemática: a situação é mais crítica, com o estado no Nível 2, indicando que os estudantes resolvem funções básicas, mas têm dificuldades com problemas de proporcionalidade e reajustes percentuais.
Referência Ideb 2025: Médias Oficiais
| Nível de Ensino | Nacional (Rede Pública) | Estado de SP (Rede Estadual) |
|---|---|---|
| Anos Iniciais (1º ao 5º) | 6,1 | 6,6 |
| Anos Finais (6º ao 9º) | 5,0 | 5,2 |
| Ensino Médio | 4,3 | 4,5 |
| Etapa | Ideb 2023 | Ideb 2025 |
|---|---|---|
| Anos iniciais | 5,7 | 6,1 |
| Anos finais | 4,7 | 5,0 |
| Ensino médio | 4,1 | 4,3 |
| Cidade | Anos Iniciais (2017) | Anos Finais (2017) |
|---|---|---|
| Jaguariúna | 7,4 | 6,4 |
| Indaiatuba | 7,4 | 5,3 |
| Holambra | 7,3 | 5,0 |
| Vinhedo | 7,2 | 5,3 |
| Pedreira | 7,2 | 5,1 |
| Itatiba | 7,0 | 5,9 |
| Santa Bárbara d’Oeste | 7,0 | 5,3 |
| Nova Odessa | 6,9 | 5,3 |
| Hortolândia | 6,9 | 4,9 |
| Cosmópolis | 6,8 | 5,8 |
| Americana | 6,8 | 5,3 |
| Paulínia | 6,6 | 5,1 |
| Artur Nogueira | 6,5 | 4,8 |
| Valinhos | 6,5 | 5,5 |
| Monte Mor | 6,4 | 5,1 |
| Campinas | 6,4 | 4,8 |
| Morungaba | 6,2 | 5,2 |
| Sumaré | 6,2 | 4,9 |
| Engenheiro Coelho | 5,9 | 4,7 |
| Santo Antônio de Posse | 5,7 | 4,6 |
Resultados por cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC)
Com base nos arquivos de divulgação oficial (autenticados pelos registros de verificação do Inep), a região apresenta um cenário de avanços e pontos de atenção distribuídos pelos seus 20 municípios.
Campinas: liderança e desafios estruturais
Principal polo da região, Campinas manteve a tendência de evolução nos anos iniciais do ensino fundamental. O desafio da metrópole, assim como do estado, concentra-se na proficiência em matemática e na retenção de alunos no ensino médio, onde o crescimento do índice é menos expressivo.
Municípios em foco na RMC
As cidades listadas abaixo compõem o bloco regional que agora analisa seus resultados detalhados para o planejamento de metas de equidade e aprendizagem, previstas para serem anunciadas em outubro pelo MEC:
- Americana, Indaiatuba e Paulínia: tradicionalmente com bons indicadores, buscam consolidar o aprendizado nos anos finais.
- Hortolândia, Sumaré e Santa Bárbara d’Oeste: focam na melhoria do fluxo escolar e na redução das lacunas de aprendizagem.
- Valinhos e Vinhedo: cidades com histórico de destaque no estado que buscam atingir metas de proficiência avançada.
- Artur Nogueira, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Itatiba, Jaguariúna, Monte Mor, Morungaba, Nova Odessa, Pedreira, Santo Antônio de Posse: municípios que acompanham o movimento de fortalecimento da alfabetização.
Ideb Ensino Médio (Americana)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,5 | 4,9 | 4,7 | 4,5 | 4,7 | 4,66 |
| Metas Projetadas | – | 4,7 | 4,9 | – | – | 4,80 |
Ideb Ensino Médio (Artur Nogueira)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,2 | 4,6 | 4,9 | 4,6 | 4,6 | 4,58 |
| Metas Projetadas | – | 4,4 | 4,6 | – | – | 4,50 |
Ideb Ensino Médio (Cosmópolis)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,5 | 5,4 | 4,7 | 5,0 | 4,9 | 4,90 |
| Metas Projetadas | – | 4,7 | 4,9 | – | – | 4,80 |
Ideb Ensino Médio (Engenheiro Coelho)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 3,5 | 4,2 | – | 4,4 | 4,1 | 4,05 |
| Metas Projetadas | – | 3,8 | 4,0 | – | – | 3,90 |
Ideb Ensino Médio (Holambra)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,0 | 4,7 | – | 3,9 | 4,3 | 4,22 |
| Metas Projetadas | – | 4,2 | 4,4 | – | – | 4,30 |
Ideb Ensino Médio (Hortolândia)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb)* | 3,95 | 4,65 | 4,77 | 5,00 | 4,45 | 4,62 |
| Metas Projetadas | – | 4,20 | 4,40 | – | – | 4,30 |
Ideb Ensino Médio (Indaiatuba)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,3 | 4,7 | 4,6 | 4,6 | 4,8 | 4,60 |
| Metas Projetadas | – | 4,5 | 4,7 | – | – | 4,60 |
Ideb Ensino Médio (Itatiba)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,4 | 5,2 | 5,2 | 5,0 | 5,0 | 4,96 |
| Metas Projetadas | – | 4,6 | 4,8 | – | – | 4,70 |
Ideb Ensino Médio (Jaguariúna)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,5 | 4,9 | 4,6 | 4,4 | 4,5 | 4,58 |
| Metas Projetadas | – | 4,7 | 4,9 | – | – | 4,80 |
Ideb Ensino Médio (Monte Mor)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,1 | 4,7 | 4,7 | 4,7 | 4,5 | 4,54 |
| Metas Projetadas | – | 4,4 | 4,6 | – | – | 4,50 |
Ideb Ensino Médio (Morungaba)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 3,5 | 4,2 | 5,0 | 4,6 | 5,2 | 4,50 |
| Metas Projetadas | – | 3,7 | 3,9 | – | – | 3,80 |
Ideb Ensino Médio (Nova Odessa)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,5 | 4,9 | 4,7 | 4,6 | 5,0 | 4,74 |
| Metas Projetadas | – | 4,7 | 4,9 | – | – | 4,80 |
Ideb Ensino Médio (Paulínia)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb)* | 4,70 | 5,13 | 4,30 | 5,17 | 5,37 | 4,98 |
| Metas Projetadas | – | 4,90 | 5,10 | – | – | 5,00 |
Ideb Ensino Médio (Pedreira)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,1 | 4,3 | 4,3 | 4,0 | 4,4 | 4,22 |
| Metas Projetadas | – | 4,3 | 4,5 | – | – | 4,40 |
Ideb Ensino Médio (Santa Bárbara d’Oeste)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,2 | 4,8 | 4,6 | 4,4 | 4,7 | 4,54 |
| Metas Projetadas | – | 4,5 | 4,7 | – | – | 4,60 |
Ideb Ensino Médio (Santo Antônio de Posse)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 3,8 | 4,6 | – | 4,3 | 4,5 | 4,30 |
| Metas Projetadas | – | 4,0 | 4,2 | – | – | 4,10 |
Ideb Ensino Médio (Sumaré)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb)* | 4,40 | 4,90 | 4,35 | 4,57 | 4,57 | 4,57 |
| Metas Projetadas | – | 4,63 | 4,87 | – | – | 4,75 |
Ideb Ensino Médio (Valinhos)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,4 | 4,9 | 4,6 | 4,6 | 4,7 | 4,64 |
| Metas Projetadas | – | 4,6 | 4,9 | – | – | 4,75 |
Ideb Ensino Médio (Vinhedo)
| Categoria | 2017 | 2019 | 2021 | 2023 | 2025 | Média da Categoria |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Valor Observado (Ideb) | 4,2 | 4,9 | 4,6 | 4,8 | 4,6 | 4,62 |
| Metas Projetadas | – | 4,4 | 4,7 | – | – | 4,55 |
Destaques das Cidades da RMC (escolas com melhores notas – 2025)
As escolas da região que figuram entre as 100 melhores públicas do estado no Ideb 2025:
- Paulínia: Escola Técnica de Paulínia – 6,6.
- Itatiba: Etec Rosa Perrone Scavone – 6,4.
- Campinas: EE Orosimbo Maia – 6,3.
- Campinas: Etec Antonio Prado Conselheiro – 6,2.
- Hortolândia: Etec de Hortolândia – 6,1.
- Indaiatuba: EE Professor Hélio Cerqueira Leite – 5,9.
- Hortolândia: IFSP – Campus Hortolândia – 5,9.
- Santa Bárbara d’Oeste: Etec Prof Dr José Dagnoni – 5,8.
Com os dados divulgados, estados e municípios passam a utilizar os indicadores como base para definir estratégias e metas voltadas à melhoria da qualidade da educação nos próximos anos.
Políticas públicas na área da educação
Nos últimos anos, o ensino médio passou a receber uma série de medidas voltadas à redução da evasão e à melhoria da qualidade da aprendizagem. Entre as iniciativas estão a ampliação das escolas de tempo integral e mudanças na estrutura curricular da etapa, com maior aproximação entre a formação geral e a educação profissional.
Outra ação criada pelo governo federal foi o programa Pé-de-Meia, que oferece incentivo financeiro a estudantes do ensino médio para estimular a permanência nas escolas. A iniciativa busca enfrentar um dos principais desafios dessa fase da educação: o abandono escolar, que ocorre por diferentes motivos, como a entrada precoce no mercado de trabalho e a gravidez na adolescência.
Mesmo com as políticas implementadas, o ensino médio continua sendo a etapa mais distante da meta de 5,2 estabelecida para o Ideb em 2021. No resultado mais recente, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), o Brasil alcançou índice 4,5, acima dos 4,3 registrados em 2023, mas ainda abaixo do objetivo previsto.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o desempenho deve ser analisado considerando os impactos da pandemia e os desafios acumulados no sistema educacional brasileiro. Segundo ele, o país precisou conciliar ações para melhorar o acesso, reduzir o abandono e elevar a aprendizagem ao mesmo tempo.
“Quando tem de trabalhar fluxo e acesso ao mesmo tempo em que trabalha a proficiência, é natural que tenha muitas dificuldades”.
Leonardo Barchini, ministro da Educação
Barchini também destacou que os avanços recentes ocorreram em um ritmo superior ao inicialmente projetado pelo governo. Segundo ele, medidas implementadas nos últimos anos permitiram acelerar mudanças que, em condições anteriores, poderiam levar mais tempo para apresentar resultados.
Sobre o ensino médio, representantes do MEC avaliam que os efeitos das políticas mais recentes ainda não aparecem completamente no Ideb 2025 e devem ser percebidos nas próximas avaliações.
O ministro também ressaltou a evolução histórica do acesso à etapa. Segundo ele, o percentual de jovens que concluem o ensino médio aumentou de forma significativa nas últimas décadas, mas o país ainda enfrenta o desafio de consolidar uma formação de qualidade.
Apesar de não atingir todas as metas previstas para os anos finais do ensino fundamental e para o ensino médio, o MEC informou que continuará estabelecendo novos objetivos para o Ideb. A pasta também citou experiências de diferentes estados com bons resultados educacionais, independentemente de posicionamentos políticos.
Rede privada apresenta pouca evolução
Na rede privada, o avanço do Ideb ocorreu em ritmo mais lento. Nos anos iniciais do ensino fundamental, houve queda no indicador: o índice passou de 7,2 em 2023 para 7,1 em 2025.
Nos anos finais do ensino fundamental, a rede particular apresentou recuperação após a estabilidade registrada na avaliação anterior. O Ideb do 9º ano subiu de 6,3 para 6,4, retornando ao mesmo patamar alcançado em 2019, antes da pandemia.
No ensino médio, a rede privada teve o maior crescimento entre as etapas avaliadas em comparação com 2023. O indicador passou de 5,6 para 5,8. Apesar da melhora, o resultado ainda não alcançou o nível registrado em 2019, quando o Ideb chegou a 6,0.
Aprendizagem avança em português e matemática
Os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) indicam melhora no desempenho dos estudantes brasileiros em Língua Portuguesa e Matemática. O avanço, porém, ocorre de forma desigual entre as etapas de ensino.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, os estudantes alcançaram níveis considerados adequados de aprendizagem nas duas disciplinas. Em Língua Portuguesa, a média nacional subiu de 213,9 pontos em 2023 para 219,3 em 2025, aumento de 5,4 pontos.
Na rede pública, o crescimento foi maior: a pontuação passou de 207,6 para 215,1 no mesmo período. Com esse desempenho, os alunos demonstram capacidade para interpretar textos, identificar informações e compreender relações entre diferentes elementos de uma leitura.
Em Matemática, os anos iniciais também registraram avanço. A média nacional aumentou de 224,8 para 232,3 pontos, crescimento de 7,5 pontos. Entre estudantes da rede pública, a elevação foi de 9,1 pontos, passando de 218,3 para 227,4.
O resultado indica evolução em habilidades como resolução de operações matemáticas, interpretação de gráficos e compreensão de medidas e informações numéricas.
Nos anos finais do ensino fundamental, o crescimento foi mais moderado. Em Língua Portuguesa, a média nacional passou de 258,8 para 262,2 pontos. Em Matemática, o avanço foi de 258,9 para 264,2 pontos.
Já no ensino médio, a evolução foi a menor entre as etapas avaliadas. Em Língua Portuguesa, a nota subiu de 275,7 para 279 pontos entre 2023 e 2025. Em Matemática, o avanço foi de 271,9 para 276,5 pontos.
Na rede pública, o desempenho também apresentou crescimento, mas em ritmo reduzido. A média em Português passou de 269,1 para 272,3 pontos, enquanto Matemática avançou de 263,9 para 268 pontos.
Os resultados mostram que o Brasil avançou nos indicadores de aprendizagem, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir níveis mais elevados de desempenho, principalmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.