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Operação do MP em Campinas investiga infiltração do PCC e prende suspeitos

Desdobramento de investigações sobre plano contra promotor do Gaeco levou à apuração de corrupção, extorsão e vazamento de informações sigilosas
Viaturas da Polícia Civil e do BAEP estacionadas durante a Operação Infiltrados em Campinas, que investiga corrupção e ligações com o PCC.

Uma operação realizada pelo Ministério Público de São Paulo na manhã desta terça-feira (9) levou ao cumprimento de três mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão em Campinas e Cardoso, no interior paulista. Batizada de Operação Infiltrados, a ação apura suspeitas de corrupção, repasse de informações sigilosas, extorsão e favorecimento a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Entre os presos estão um ex-estagiário do próprio Ministério Público, um investigador da Polícia Civil que, na época dos fatos, chefiava o setor de investigação da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, e um ex-investigador da corporação. Atualmente, o policial está lotado no 1º Distrito Policial de Campinas e não exerce mais a função que ocupava na Dise.

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) conduzem as investigações. Além disso, a operação conta com apoio do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Penal.

Investigação começou após descoberta de plano contra promotor

As apurações tiveram início durante a Operação Pronta Resposta, deflagrada em agosto de 2025. Na ocasião, o Ministério Público investigava uma organização criminosa suspeita de planejar um atentado contra o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco de Campinas.

Segundo as investigações, uma semana antes da operação que impediu a execução do plano, um dos suspeitos apontados como responsável pelo atentado se reuniu com o então chefe do setor de investigação da Dise de Campinas.

Durante a análise dos materiais apreendidos, os investigadores encontraram vídeos que registram o encontro entre os dois. Por isso, o Gaeco busca esclarecer se houve vazamento de informações sigilosas relacionadas às investigações.

Além disso, os promotores apuram se o policial teria fornecido dados privilegiados ao integrante da facção criminosa. As investigações apontam que o servidor estaria envolvido no esquema que tinha como alvo o promotor Amauri Silveira Filho.

Ex-estagiário do Ministério Público é apontado como principal articulador

As investigações revelaram ainda um segundo núcleo suspeito. De acordo com o Gaeco, um ex-estagiário do Ministério Público teria se infiltrado deliberadamente em uma Promotoria de Justiça Criminal de Campinas com o objetivo de acessar sistemas internos e bancos de dados da instituição.

Com essas informações, ele teria identificado integrantes da organização criminosa com grande capacidade financeira. Em seguida, passou a exigir dinheiro em troca de uma suposta proteção contra investigações.

A suspeita surgiu durante a análise do celular do empresário Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”, preso em 2025 por suspeita de participação no plano para matar o promotor do Gaeco.

No aparelho, os investigadores encontraram mensagens que faziam referência a uma cobrança de R$ 500 mil. Em troca, o responsável pelas ameaças prometia impedir o envio de informações ao Ministério Público.

Inicialmente, os investigadores acreditavam que o autor das mensagens estivesse em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. No entanto, o aprofundamento das apurações levou à identificação de um funcionário que atuava em uma promotoria criminal de Campinas.

Segundo o Ministério Público, o então estagiário utilizava os sistemas de pesquisa e os bancos de dados da instituição para localizar integrantes da facção com elevado poder econômico. Depois disso, exigia dinheiro em troca de uma suposta interferência nas investigações.

Semanas após as operações realizadas em 2025, o estagiário deixou o Ministério Público e passou a trabalhar em um escritório de advocacia na região de Campinas. Nesta terça-feira, o local também recebeu equipes responsáveis pelas buscas.

Até o momento, os investigadores ainda tentam confirmar se algum dos alvos chegou a efetuar pagamentos.

Agentes do Gaeco e da Polícia Civil realizando o cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão no interior de São Paulo.
Operação Infiltrados cumpriu mandados de prisão e de busca em Campinas e Cardoso; investigação apura ligação de agentes públicos com integrantes do PCC. Foto: Divulgação

Outros agentes públicos aparecem nas investigações

Segundo o Ministério Público, o ex-estagiário contava com a ajuda de outros agentes públicos. Entre eles estão um policial penal e um ex-investigador da Polícia Civil, que havia sido expulso da corporação anos atrás por envolvimento em um caso de extorsão mediante sequestro.

Agora, os promotores suspeitam que ambos tenham auxiliado na obtenção de informações privilegiadas. Dessa forma, o grupo conseguia identificar integrantes da facção com grande capacidade financeira para, posteriormente, praticar as extorsões.

Além disso, as investigações indicam que parte das ações teria ocorrido por meio da internet utilizada em um escritório de advocacia. O Gaeco ainda apura qual era o grau de participação de cada investigado.

Operação é desdobramento de outras duas ações do Gaeco

A Operação Infiltrados surgiu a partir das descobertas feitas nas operações Pronta Resposta e Off White, deflagradas em 2025.

A Operação Pronta Resposta investigava o planejamento do atentado contra o promotor Amauri Silveira Filho. Já a Operação Off White teve como foco um esquema de lavagem de dinheiro ligado a integrantes do PCC, entre eles Sérgio Luiz de Freitas, conhecido pelos apelidos “Mijão” e “Xixi”, apontado como um dos principais líderes da facção em liberdade na época.

Corregedorias participaram da operação

Como as investigações envolvem integrantes das forças de segurança, a Operação Infiltrados contou com a participação das corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal.

Por outro lado, as buscas realizadas em escritório de advocacia tiveram acompanhamento da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A medida teve como objetivo garantir o cumprimento das prerrogativas profissionais.

Em nota, o Ministério Público afirmou que a atuação conjunta das instituições demonstra o compromisso com a apuração dos fatos e com a preservação da transparência no serviço público.

Investigações continuam

O Ministério Público ainda não divulgou os nomes dos presos e dos demais investigados. Enquanto isso, as equipes continuam reunindo provas para esclarecer o alcance do esquema e identificar outros possíveis envolvidos.

A Operação Infiltrados é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. As investigações seguem em andamento, e novas informações devem ser divulgadas pelas autoridades conforme o avanço das apurações.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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