A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (4) a operação Via Corporis para capturar seis pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada no envio de cocaína à Europa. A droga era transportada no interior do corpo de passageiros aliciados pelo grupo, que arcava com custos de viagem e fornecia os entorpecentes.
A ação ocorre simultaneamente nas cidades de São Paulo (SP), Guarulhos (SP) e Manaus (AM), com um mandado de prisão expedido no Reino Unido.
Entre os alvos da PF de Campinas estão quatro mulheres e dois homens. Um deles, estrangeiro, já havia sido preso pela PF por tráfico internacional em 2013 e 2017. Outra investigada foi detida em abril de 2025 em Londres, pelo mesmo tipo de crime. Os agentes cumprem seis mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão.
Operações da PF em série
Essa é a terceira operação contra o tráfico internacional de drogas executada pela PF nesta semana. Na terça-feira (2), três suspeitos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) foram presos em Manaus. Na quarta (3), uma quadrilha chefiada por mulheres foi alvo de outra ofensiva policial.

A operação Via Corporis teve início após a prisão de uma jovem de 20 anos, em outubro de 2024, no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. Ela tentava embarcar para Paris com 1,3 kg de cocaína no organismo. A partir dessa apreensão, a PF identificou uma rede transnacional responsável por aliciar os chamados “correios humanos”, emitir passagens e custodiar toda a logística do crime.
Bloqueio de contas e empresa de fachada
Além dos mandados, a Justiça Federal determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados e de uma empresa usada para movimentar recursos ilícitos, até o limite de R$ 1 milhão. De acordo com os investigadores, apenas no segundo semestre de 2024, o grupo movimentou aproximadamente R$ 700 mil.
O nome da operação, Via Corporis – expressão em latim para “caminho do corpo” – faz alusão à forma utilizada pelo grupo para ocultar a droga durante os voos internacionais.
Os investigados responderão por tráfico internacional de drogas, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem ultrapassar 35 anos de prisão.