O presidente da Câmara de Sumaré, Hélio Silva (Cidadania), recebeu 1.981 votos na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, mesmo estando preso. Com o resultado das urnas, o vereador de Sumaré de 55 anos garantiu a posição de suplente de deputado federal pelo seu partido. Ele cumpre prisão temporária desde o dia 9 de setembro, acusado de financiar o tráfico de drogas na região de Campinas.
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) prendeu o parlamentar durante a Operação Archimagus. A investigação da Polícia Federal aponta Hélio Silva como o “Mister M”, apelido com o qual ele supostamente financiava a compra, o armazenamento e a distribuição de entorpecentes. A defesa do vereador nega todas as acusações e afirma que confia no esclarecimento dos fatos pela Justiça.
Prisão mantida e continuação da campanha nas redes
Apesar da prisão por suspeita de tráfico, a equipe do candidato manteve a campanha ativa. Cinco dias após a detenção, a coordenação confirmou a continuidade das atividades eleitorais nas ruas e nas redes sociais. A decisão atendeu a um pedido do próprio candidato e de seus familiares.
Nesta terça-feira (6), dois dias após a votação, a Justiça prorrogou a prisão do vereador por mais 30 dias. Após a apuração dos votos, o perfil oficial do presidente da Câmara Municipal publicou uma mensagem de agradecimento aos eleitores, afirmando que o grupo segue “firme na fé” e que “a luta continua”.
Preso pode tomar posse? Especialista explica a regra
A situação jurídica de Hélio Silva preso levanta dúvidas sobre a legalidade da sua candidatura. De acordo com o presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Campinas, Valdemir Moreira dos Reis Júnior, a prisão temporária não impede a diplomação do candidato como suplente.
“Ele ainda não está condenado. Dessa forma, a prisão não causa qualquer impacto na diplomação”, explicou o especialista.
No entanto, o cenário muda se o partido convocar o parlamentar para assumir uma cadeira em Brasília enquanto ele estiver detido. “Caso ele seja chamado a assumir, ele não poderá tomar posse em razão da prisão. Dessa forma ele terá que declinar da possibilidade, visto que está preso e a Câmara convocará o próximo suplente”, completou o advogado, destacando que uma eventual condenação definitiva resultaria na perda dos direitos políticos.
Operação policial descobre sítio usado pelo esquema
Nesta quarta-feira (7), a Ficco deflagrou uma nova fase das investigações, batizada de Operação Grimório. Policiais cumpriram mandado de busca e apreensão em um sítio localizado em Jacutinga (MG). As autoridades identificaram o imóvel a partir de documentos apreendidos com o grupo.
A Polícia Federal suspeita que o imóvel em Minas Gerais servia para armazenar drogas que abasteciam pontos de venda em Sumaré. A ação contou com o apoio do Gaeco do Ministério Público de São Paulo e do Canil da Polícia Militar de Minas Gerais.
Escutas e dinheiro em carro oficial da Câmara
As investigações reúnem provas contra o vereador de Sumaré. Em uma das gravações telefônicas autorizadas pela Justiça, o filho de Hélio Silva cobra uma dívida mencionando diretamente o local de comércio de entorpecentes:
“Você foi atrás de irmão lá onde é a biqueira do meu pai, falar que eu ia pegar a chave do seu carro, certo, mano? […] Você foi lá na biqueira do meu pai […] pra falar sobre o meu dinheiro?”
Além das escutas, a Polícia Federal registrou imagens do parlamentar recebendo sacolas suspeitas entre janeiro e agosto deste ano. Os investigadores identificaram que o presidente da Câmara de Sumaré colocou o material dentro de um veículo oficial do legislativo municipal. A polícia apura se dinheiro ilícito financiou a campanha eleitoral.
Na casa de Hélio Silva, os agentes apreenderam diversos itens de valor e armamento:
- 1 pistola calibre .380 e 1 carabina com 105 munições;
- R$ 18.215 em dinheiro vivo;
- 7 cordões de ouro, 2 pulseiras, 2 anéis e 2 relógios;
- 5 aparelhos celulares e documentos.
Em outros alvos da operação, a polícia encontrou mais R$ 6,7 mil em dinheiro e 892 gramas de maconha. A investigação também apura o uso de endereços ligados ao vereador para o registro de empresas de fachada.
Até a última atualização desta matéria, nem a defesa de Hélio Silva nem a Câmara Municipal de Sumaré enviaram novos posicionamentos sobre as operações recém-deflagradas.
O que diz a defesa
Confira na íntegra a nota divulgada pela defesa do vereador Hélio Silva em 10 de setembro de 2026:
“A defesa técnica do Vereador Hélio Pereira da Silva, por meio de seu advogado constituído EDILSON CASAGRANDE OAB/SP 268038, vem a público esclarecer que ele está tranquilo e confia na Justiça, mantendo a serenidade de quem tem convicção de que a verdade será devidamente esclarecida.
O Vereador Hélio Pereira da Silva sempre pautou sua atuação pública pela probidade e pela moralidade administrativa, e nega veementemente as acusações que lhe são imputadas.
A defesa técnica atuará exclusivamente nos autos do processo, pelos meios legais cabíveis, reiterando seu respeito às instituições e sua confiança no correto esclarecimento dos fatos no bojo do devido processo legal.”




