Suelen dos Santos Teodoro, de 41 anos, conseguiu na Justiça que o SUS custeasse pela primeira vez um transplante de medula sem a transfusão de sangue. A moradora de Campinas é Testemunha de Jeová, religião que não permite o uso do sangue de outra pessoa.
Diagnosticada com mieloma múltiplo, um tipo raro de câncer na medula, Suelen poderia receber 70 transfusões de sangue no transplante convencional – algo que ela recusou.
De acordo com a EPTV, a cirurgia de Suelen foi realizada no hospital particular Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC). Para seu caso, foi utilizada a técnica PBM (Patient Blood Management), que significa “gerenciamento do sangue do paciente”. O custo foi de R$ 561.623,72 para o Governo Federal.
O procedimento escolhido para a Testemunha de Jeová consiste em otimizar e preservar o sangue do próprio paciente. Segundo informações do Ministério da Saúde, a prática pode ser aplicada em diferentes contextos da atenção à saúde, incluindo cirurgias e transplantes, e vem sendo adotada progressivamente em hospitais públicos e privados no Brasil.
Além de não receber qualquer transfusão, Suelen teve um transplante autólogo (quando o paciente recebe células-troncos dele mesmo).
Decisão da Justiça
Em setembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu o direito de Testemunhas de Jeová recusarem transfusão de sangue em procedimentos na rede pública de saúde.
A definição garantiu que maiores de 18 anos tenham o direito de um tratamento alternativo disponível no SUS, na mesma localidade de residência ou em outra, com todos os custos pagos pelo Estado.
Desta forma, foi determinado que o Estado de São Paulo e o município de Campinas encaminhassem Suelen para um hospital conveniado pelo SUS. Ambos não recorreram a decisão.