“Você não é o cara que fazia a Bigail?”. A pergunta, repetida inúmeras vezes ao ilustrador e jornalista Seri durante anos, ajudou a despertar uma história que agora ganha um novo capítulo. Depois de décadas longe das tirinhas que conquistaram leitores na Baixada Santista e região do Grande ABC, a Bigail está de volta.
Não se trata da criação de novas tirinhas. O próprio Seri entende que a história da personagem foi contada. O retorno acontece de outra forma: em “O Melhor da Bigail – História e Coletânea das Melhores Tiras da Biga e Sua Turma”, livro que reúne mais de 400 tirinhas em 116 páginas, além de textos e registros que contam a trajetória da personagem.
A campanha de financiamento coletivo para viabilizar a publicação já está no ar no Catarse e busca mobilizar antigos leitores, novos admiradores dos quadrinhos e todos aqueles que guardam alguma lembrança da personagem.
Criada por Seri, a Bigail marcou época entre o final dos anos 1980 e os anos 2000, especialmente na Baixada Santista. A personagem nasceu nas páginas de A Tribuna e sua trajetória é contada no próprio livro, incluindo os primeiros desenhos, a mudança de nome e os diferentes momentos que ajudaram a transformar a personagem em uma presença marcante nos quadrinhos de humor.

Mais do que nostalgia
O livro também mostra por que a Bigail continua relevante. Nas tirinhas, a personagem transita por temas como escola, família, comportamento, religião, política, tecnologia, relacionamentos e cotidiano. Com humor, ironia e uma personalidade que não aceitava respostas prontas, Bigail observava o mundo e questionava adultos, professores, autoridades e até questões existenciais.
É justamente essa característica que faz com que parte das tirinhas continue dialogando com o presente, mesmo tendo sido publicada décadas atrás.


Uma menina que segue atual
A edição também reúne textos de pessoas que acompanharam ou participaram da trajetória da personagem, entre escritores, jornalistas e outros colaboradores. O prefácio é do escritor e vice-presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), Paulo Mauá. “Paulo Mauá “O que deixa a vida chata nos adultos é que tudo tem de ter um objetivo, como afirma a sábia Bigail neste belíssimo e necessário livro”.
O publicitário santista Toninho Garcia, que criou o case ‘Biagai’ para a então de de drogarias Iporanga, também está no livro. Ele conta orgulhoso como o desenho daquela menina inteligente e reflexiva saiu do jornal, entrou na vida das pessoas e mudou para sempre a forma de comunicar saúde.
Já a contracapa é assinada pela jornalista Rosa Santos, diretora editorial do Clube do Desapego Literário, selo responsável pela gestão editorial da publicação.
“Ao revisitar as tirinhas, percebemos que elas não pertencem apenas ao passado. Muitas dela parecem ter sido escritas para os dias de hoje. Os temas continuam atuais. Os questionamentos necessários. E a voz da personagem segue ecoando com a mesma força de quando surgiu nas páginas do jornal.
Um reencontro com os leitores
Para Seri, o projeto representa uma oportunidade de reencontrar um público que acompanhou a personagem durante anos e, ao mesmo tempo, apresentar a Bigail para uma nova geração.
A publicação também preserva parte da memória dos quadrinhos e da imprensa regional. O livro recupera episódios da trajetória da personagem e mostra como ela foi construída ao longo de décadas, acompanhando mudanças de comportamento, comunicação e sociedade.
As pessoas interessadas podem participar da campanha de financiamento coletivo e escolher entre diferentes recompensas. A principal delas dá direito ao livro “O Melhor da Bigail”, com previsão de entrega em outubro de 2026.
Serviço
- Livro: O Melhor da Bigail – História e Coletânea das Melhores Tiras da Biga e Sua Turma
- Autor: Seri
- Formato: livro com 116 páginas e mais de 400 tirinhas
- Campanha: financiamento coletivo no Catarse
- Campanha já está no ar: www.catarse.com.br/bigail
Sobre Seri
Sergio Ribeiro Lemos, conhecido como Seri, é ilustrador e jornalista. Publicou as tirinhas da Bigail entre 1989 e 2014 nos jornais A Tribuna e Diário do Grande ABC. Também é autor de outros livros de quadrinhos e humor e mantém atuação como ilustrador e jornalista.
Sobre o Clube do Desapego Literário
O Clube do Desapego Literário atua como selo editorial da publicação, participando da gestão editorial do projeto e contribuindo para que a história da Bigail seja preservada e alcance novos leitores.