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SV celebra 494 anos: prefeito Kayo Amado fala sobre a primeira cidade do Brasil

Prefeito fala sobre os avanços da gestão, os desafios históricos e os projetos que buscam impulsionar o desenvolvimento e a autoestima do município
SV celebra 494 anos

A primeira cidade brasileira completa 494 anos nesta quinta-feira (22) preservando uma parte fundamental da história do País. Localizada no litoral paulista, São Vicente foi fundada em 1532 e marcou o início do processo de colonização portuguesa no Brasil.

Escolhida pelos portugueses por sua localização estratégica e pelo recorte geográfico favorável, a então vila tornou-se um ponto cobiçado do território. À época, funcionava como área de abastecimento para embarcações e desempenhava papel essencial na defesa das terras sob domínio português.

Ao longo de quase cinco séculos, São Vicente acompanhou e protagonizou diferentes fases do desenvolvimento socioeconômico brasileiro, trajetória que ainda hoje se reflete na identidade e na memória da cidade.

Para celebrar os 494 anos do município, a VTV News conversou com o prefeito Kayo Amado sobre a trajetória e os desafios da primeira cidade brasileira. A iniciativa integra o projeto Minha Cidade em Destaque, voltado à valorização da história, das potencialidades e da relevância de cada município.

Retrato do prefeito Kayo Amado durante entrevista sobre os 494 anos de São Vicente, a primeira cidade do Brasil.

Prefeito de São Vicente, Kayo Amado Foto: Divulgação/PMSV

Confira a entrevista completa

São Vicente completa 493 anos como a primeira cidade do Brasil. Como a atual gestão trabalha para transformar esse patrimônio histórico em desenvolvimento real para a população?

As raízes do Brasil estão diretamente conectadas a São Vicente. Foi aqui onde tudo começou. Por muito tempo, o brilho no olhar foi tirado do morador. Mas, nos últimos anos, São Vicente tem voltado a sorrir. A Encenação 2026 é um exemplo concreto do quanto valorizamos nossa história. Será um espetáculo lindo, de 21 a 24 de janeiro, com a nossa Orla do Gonzaguinha toda revitalizada, pronta para receber o vicentino e o turista de braços abertos. 

A gente quer que o cidadão carregue lembranças boas de São Vicente. E estamos trabalhando para isso. A Biquinha será um palco para uma aula de história contada a céu aberto. Vamos resgatar a essência de um dos nossos cartões-postais. O Memorial dos 500 Anos, outro marco fundamental que ajuda a contar a nossa história, também está sendo revitalizado. De passo em passo, a gente vai apropriando os espaços públicos e ajudando a propagar a cultura para as futuras gerações.

A cidade convive há décadas com desafios estruturais, como enchentes, áreas de risco e desigualdade social. Quais avanços concretos podem ser destacados neste último ano?

Realizamos a maior obra de combate às enchentes da história de São Vicente. Reestruturamos todo o canal da Avenida Eduardo Souto, na Náutica, aumentando a capacidade de captação de água. Uma obra de 750 m, que revitalizou todo o canal. Tudo isso vai trabalhar integrado a um eixo de oito comportas que estamos instalando pela Cidade. 

Em paralelo, o governador Tarcísio de Freitas e a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, estão trabalhando para a nossa inserção no programa Rios Vivos, que irá desassorear os rios e canais da Cidade, para podermos explorar toda a capacidade de escoamento.

Já olhando para o futuro, hoje contamos com um Plano de Macrodrenagem, o que até 2023 não era realidade em São Vicente. Temos projetos de combate às enchentes para toda a Cidade, mas, para resolver todos esses problemas, precisamos de um aporte de R$ 1 bilhão. 

Hoje o Município tem um norte. A gente sabe o que é preciso para que o problema seja resolvido. Sigo de porta em porta, buscando recursos de forma incansável para São Vicente. 

Mobilidade urbana é uma das maiores dores do vicentino. Quais projetos estão em andamento ou previstos para melhorar o deslocamento entre bairros e a ligação com cidades vizinhas da Baixada Santista?

Temos vivido uma grande transformação em mobilidade. Finalmente conseguimos colocar a integração dos ônibus municipais com o VLT na prática. As obras de extensão do VLT à Área Continental também geram grande desafio, pois o processo para que esse sonho se torne realidade é complexo. Tentamos amenizar a situação para gerar o mínimo de transtorno possível, sem atrapalhar a rotina das pessoas. Para isso, realizamos as operações Pare e Siga apenas às madrugadas e, agora, entraremos numa nova fase da obra da Pote dos Barreiros. São mais de 150 mil vidas sendo transformadas. 

A revitalização da ciclovia da Avenida Tupiniquins também é uma entrega linda que estamos concretizando. Uma via estratégica, que conecta São Vicente a Praia Grande, impactando milhares de pessoas que se deslocam entre as cidades todos os dias. Vai deixar muito mais seguro para quem transita pelas cidades, seja a trabalho ou lazer. 

Nossos pontos de ônibus, que quando assumi estavam destruídos, seguem em perfeito estado de conservação, com cobertura, acessibilidade e conforto para a população. Hoje o cidadão não sofre mais nos dias de chuva e sol. Além disso, a gente segue atento às mudanças que a sociedade pede. Fizemos distribuição de anteninhas corta-pipas para motociclistas e estamos desenvolvendo novos projetos, como a Faixa Azul, que já começou a ser implantada no Itararé e se expandirá para pontos estratégicos da Cidade.

O turismo histórico e cultural ainda é pouco explorado em São Vicente. Existe um plano estruturado para fortalecer esse setor e gerar emprego e renda?

A gente traçou um plano para revitalizar todo o nosso eixo centro-praia. Toda colheita requer a plantação. E a gente já está na fase de colheita. Na última semana, divulgamos o dado da Ecovias, constatando que o turismo de São Vicente cresceu mais de 50% em relação ao ano passado. Isso não é coincidência. É fruto de investimentos que estamos fazendo para valorizar nossa orla, gerar emprego e fazer o empresário voltar a acreditar que São Vicente é uma cidade boa para se instalar.

Desde que assumi a Prefeitura, são dois pontos turísticos criados ou revitalizados por ano. Temos o Píer do Pelé, o Píer dos Apaixonados, a Fonte das Crianças, a Nova Orla do Gonzaguinha e a Praça da Bíblia. Tudo isso é política pública do nosso governo. Foi o nosso governo que ressignificou o conceito de uso desses espaços. 

Hoje você caminha por São Vicente e nota uma cidade viva, com criança na rua, com um sentimento de pertencimento que ecoa nas veias. E os resultados estão aí: ano passado a Orla do Gonzaguinha foi eleita uma das três melhores área para caminhada no Brasil, o Píer do Pelé entrou na Rota do Futebol SP, plataforma que reúne acervos sobre atrações alusivas ao futebol no Estado, e, agora, temos a consolidação desse dado de 50% de crescimento no turismo.

São obras que se conectam, tudo parte de uma linha estratégica. Já revitalizamos todos os locais citados e, agora, estamos reorganizando a subida da Ilha Porchat, a Praça 21 Irmãos Amigos – que vai funcionar com uma base de segurança no Itararé -, o Memorial dos 500 Anos, o Deck dos Pescadores e, futuramente, a Praça 22 de Janeiro, que já está com a empresa contratada para executar as obras. 

São Vicente enfrenta desafios sociais profundos. Quais políticas públicas estão sendo priorizadas para combater vulnerabilidades, especialmente entre jovens e famílias em áreas mais afetadas?

A falta de aporte financeiro para o avanço de políticas públicas socioassistenciais é um grande desafio. Mesmo assim, conseguimos uma articulação muito positiva com o governador Tarcísio, para que São Vicente fosse uma das oito cidades inseridas no SuperAção, o maior programa já criado pelo Governo de São Paulo no combate à pobreza, que oferece acompanhamento e capacitação para que o cidadão possa arrumar emprego e viver com dignidade.

Ainda temos uma grande demanda de vulnerabilidade social. Temos uma população com ⅓ dos moradores inscritos no CadÚnico, o que escancara nossas dificuldades, mas esse foi um tremendo avanço que conseguimos: tirar pessoas da pobreza com um programa de acompanhamento sério e humanizado, num trabalho em conjunto com o Governo do Estado que atenderá mais de 2 mil famílias.

A saúde é uma das áreas mais sensíveis da administração pública. Quais ações foram implementadas para melhorar o atendimento e quais ainda são os desafios mais urgentes?Conseguimos uma ampliação no custeio da Maternidade, passando de R$ 500 mil mensais para R$ 1,5 milhão. Porém, isso é pouco perto do que a gente faz. Neste início de ano, uma nova grande conquista: R$ 10 milhões anuais para o custeio da saúde junto ao Governo Federal. Nós qualificamos nossas unidades de saúde e comprovamos que a verba repassada não comportava nossas despesas. Dessa forma, conseguimos o aporte do ministro Alexandre Padilha. 

Em meio a todas essas dificuldades, começamos a transformar a saúde de São Vicente. Demos fim ao Crei, que deixou uma história triste na Cidade, de falta de estrutura para um atendimento digno, e estamos construindo nossa primeira UPA Central 24h. Estamos erguendo um Complexo Materno Infantil que terá mais de 90 leitos, numa parceria histórica com a Fundação Lusíada, tornamos o implanon política pública. A Cidade conta com 26 UBSs. Já reformamos 18 e estamos recuperando mais seis. E em breve, 100% das UBSs terão passado por uma completa transformação. 

Mas para que tudo funcione, também precisamos da colaboração das pessoas. Criamos uma política chamada “Faltômetro” dentro das unidades de saúde. Em algumas delas, identificamos que 40% das pessoas não comparecem às suas consultas agendadas. Isso cria uma fila e tira a oportunidade de outra pessoa que precisa ser atendida.  É um processo longo e trabalhoso, mas que a gente consegue ver o avanço. As dificuldades são grandes, mas nosso trabalho é incansável.

Que legado a atual gestão espera deixar para São Vicente ao fim do mandato, considerando infraestrutura, qualidade de vida e autoestima da população?

Uma cidade geradora de empregos, mais equilibrada do ponto de vista social, econômico e humano, onde o morador de São Vicente possa encontrar uma oportunidade de trabalho e estudo mais perto de casa. O Instituto Federal e as empresas que irão se instalar na Área Continental com a expansão da Poligonal do Porto serão isso.

Também sonho com uma cidade que tem orgulho de si, com mais organização e atrações. Para isso, estamos revitalizando regiões importantes da Cidade, em especial o centro-praia, nosso principal gerador de emprego. 

A Cidade do futuro é a cidade em que a gente cuida da criança no presente. Daqui a 10 anos, quero poder enxergar essas crianças às quais temos oferecido ensino integral, material, merenda boa e uniforme passando numa faculdade e conquistando espaço no mercado de trabalho.

O que o senhor (a) diria ao morador que ama São Vicente, mas sente que a cidade ainda não ocupa o lugar que merece na Baixada Santista e no Brasil?

Que hoje têm pessoas que trabalham integralmente para fazer a Cidade progredir. Os desafios não são simples, pois herdamos uma cidade deteriorada por décadas. Se você tem uma montanha para escalar, você vai subindo e entendendo que falta pouco para chegar no topo. Estamos fazendo a escalada dessa montanha, fazendo o desenvolvimento chegar. Há coisas grandes acontecendo na Cidade.

No fim das contas, é sobre como queremos enxergar nossas vidas: o copo meio cheio ou o copo meio vazio. Eu gosto de olhar sempre a parte cheia. A Cidade terá uma maternidade, uma nova rodoviária, uma UPA e o VLT chegando para a Área Continental. É um dia de cada vez.


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Autor

  • Beatriz Santos

    Jornalista formada pela Universidade Santa Cecília em 2024. Atua com produção de conteúdo, redação e assessoria de imprensa.

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