O Brasil contabiliza 81 casos confirmados de Mpox desde o início de 2026, segundo dados desta terça-feira (24) do Ministério da Saúde. Não há registro de mortes no período.
A maior concentração ocorre em São Paulo, que reúne 57 notificações. Na sequência aparecem:
- São Paulo: 57 casos
- Rio de Janeiro: 13 casos
- Rondônia: 4 casos
- Minas Gerais: 3 casos
- Rio Grande do Sul: 2 casos
- Distrito Federal: 1 caso
- Paraná: 1 caso
No ano passado, a pasta havia registrado 1.079 ocorrências da doença no País, com dois óbitos.
O que é a Mpox
A Mpox, anteriormente chamada de varíola dos macacos, é provocada pelo vírus MPXV, integrante do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae. Trata-se de uma enfermidade zoonótica — isto é, pode ser transmitida de animais para humanos, sobretudo por roedores silvestres infectados. Atualmente, porém, a principal forma de contágio ocorre entre pessoas.
De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão acontece, de maneira predominante, pelo contato direto com lesões cutâneas, fluidos corporais — como pus e sangue — e secreções respiratórias em situações de proximidade prolongada. Objetos contaminados, a exemplo de roupas de cama, toalhas e vestimentas, também podem atuar como vetor.
Sintomas e evolução
Os sinais clínicos costumam surgir entre três e 16 dias após a exposição ao vírus, podendo alcançar até 21 dias. As lesões na pele geralmente aparecem alguns dias depois da febre, embora possam antecedê-la.
Os sintomas mais frequentes são:
- erupções ou lesões na pele;
- febre;
- ínguas (linfonodos inchados);
- dor de cabeça;
- dores no corpo;
- calafrios;
- fraqueza.
Algumas doenças apresentam manifestações semelhantes, como sarampo, herpes e sífilis. Na Mpox, contudo, há uma progressão característica das lesões, que evoluem de forma sucessiva:
Macular (manchas avermelhadas) → papular (elevações na pele) → vesicular (formação de bolhas) → pustulosa (lesões com conteúdo esbranquiçado). Posteriormente, formam-se crostas, seguidas de descamação.
O diagnóstico é feito por meio de exame de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), podendo incluir o sequenciamento do material genético coletado das lesões. A pessoa infectada pode transmitir o vírus desde o início dos sintomas até a cicatrização completa das feridas.
Não há, até o momento, medicamento específico amplamente disponível. O tratamento é direcionado ao controle dos sintomas. Em geral, a evolução é leve ou moderada, com duração entre duas e quatro semanas.

Vacinação e grupos de risco
A vacinação é indicada para grupos com maior probabilidade de desenvolver quadros graves. Podem se imunizar:
- pessoas vivendo com HIV/Aids com imunossupressão (CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses), especialmente homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais com 18 anos ou mais;
- profissionais de laboratório que atuam diretamente com Orthopoxvírus;
- pessoas com contato de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados, após avaliação da vigilância em saúde.
Crianças, gestantes e indivíduos imunocomprometidos apresentam risco elevado de evolução mais severa. Profissionais de saúde também integram o grupo vulnerável, devido à exposição concomitante ao vírus.