A criatura surge quebrando o portão de uma casa durante a noite, em uma rua vazia, com exceção de um morador, que registra a cena e pede para que alguém chame a polícia. Ao notar que está sendo filmado, o lobisomem avança em direção à câmera e o vídeo é interrompido. O caso teria acontecido em Itanhaém, no litoral de São Paulo (veja abaixo).
O vídeo ultrapassou milhões de visualizações e colocou a cidade no centro de um fenômeno curioso nas redes sociais. Mas, é falso. Por trás da publicação está o escritor e desenhista Alexandre Wagner, de 38 anos, morador da capital paulista e criador do perfil Marreco News, que simula reportagens sobre aparições misteriosas.
Em entrevista ao VTV News, nesta segunda-feira (16), Wagner explicou que o projeto nasceu com o propósito de entreter, apesar da repercussão inesperada. “Esse perfil não se leva a sério”, reforçou – como costuma destacar nas legendas de todas as postagens. As montagens já retrataram supostos casos em diferentes cidades.
Bombou na web
O formato surgiu após uma série de testes: no início, ele publicou vídeos satíricos com animais em situações inusitadas, como dois gatos em uma obra. A postagem chegou a cerca de 15 mil visualizações, mas ainda sem grande alcance. Foi então que Wagner passou a experimentar conteúdos produzidos com inteligência artificial.
Ao se deparar com vídeos de lobisomem feitos em IA, resolveu adaptar a ideia. Editou no formato de matéria jornalística, com narração e linguagem semelhante à de portais conhecidos. Um dos vídeos ambientados na cidade litorânea ultrapassou 40 mil visualizações em um único dia. A partir dali, o crescimento foi constante!
Mesmo deixando avisos nas legendas, parte do público acreditou na veracidade das imagens. Ele diz que sempre faz questão de esclarecer nos comentários quando percebe interpretações equivocadas. “Infelizmente muita gente não lê e leva a sério”, afirma. Ele garante que todos os conteúdos são identificados como fictícios.

Lobisomens são reais? Lá no fundo, ele acredita
Apesar da proposta bem-humorada, o criador de conteúdo admite que carrega experiências pessoais difíceis de explicar. “Lá no fundo do meu consciente, eu acredito”, afirma. Na infância, no interior do Paraná, diz ter visto um animal “grande, estranho e muito acima do esperado” ao lado do tio e do primo, em um sítio.
Já na adolescência, outro ocorrido. Ao voltar de um evento musical, relatou ter visto uma figura incomum em um terreno baldio em frente à casa da mãe. “Parecia um cavalo e ao mesmo tempo tinha uma forma absurda”, descreve. Segundo ele, familiares também teriam visto algo atravessando a rodovia pouco depois.
Anos mais tarde, já casado, afirma ter presenciado um cachorro de proporções incomuns na garagem de vizinhos. Para ele, as experiências não são provas de nada, mas alimentam a imaginação que hoje transforma em conteúdo audiovisual. Ao fim de cada publicação, reforça que tudo é fictício. Mas e você… acredita?