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Mais de 90% dos mortos na megaoperação do RJ tinham ligação com o CV, aponta governo

Maioria dos suspeitos tinha ligação com o Comando Vermelho; STF cobra preservação das provas da ação que deixou 121 mortos.
Mais de 90% dos mortos na megaoperação do RJ tinham ligação com o CV, aponta governo

O governo do Rio de Janeiro divulgou, na noite de domingo (2), o perfil de 115 dos 117 suspeitos mortos durante a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, realizada em 28 de outubro. Segundo os dados oficiais, 95% dos identificados mantinham vínculo comprovado com o Comando Vermelho, enquanto apenas dois laudos apresentaram resultado inconclusivo.

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De acordo com a Polícia Civil, 59 dos mortos possuíam mandados de prisão pendentes e 97 tinham histórico criminal relevante. Entre os 17 sem registros anteriores, 12 apresentavam indícios de envolvimento com o tráfico de drogas em redes sociais. O levantamento mostra ainda que 62 suspeitos (54%) eram oriundos de outros estados, sendo:

  • 19 do Pará
  • 9 do Amazonas
  • 12 da Bahia
  • 4 do Ceará
  • 2 da Paraíba
  • 1 do Maranhão
  • 9 de Goiás
  • 1 do Mato Grosso
  • 3 do Espírito Santo
  • 1 de São Paulo
  • 1 do Distrito Federal

O secretário da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, afirmou que a divulgação da lista “não encerra as investigações” e que todo o material será documentado “para assegurar a transparência e a legalidade da operação”. Os relatórios, segundo ele, serão encaminhados aos órgãos de controle.

O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, declarou que os confrontos ocorreram “com criminosos que reagiram à ação policial” e destacou que a estratégia foi deslocar os suspeitos “para uma área de mata, fora da zona habitada, preservando a segurança da população”.

Operação Contenção

A operação, batizada de Contenção, teve como objetivo restringir o avanço territorial do Comando Vermelho nas comunidades. O saldo final aponta 121 mortos, incluindo nove chefes da facção e quatro policiais. Outras 113 pessoas foram presas e 118 armas apreendidas, além de munições, explosivos, drogas e equipamentos militares.

No domingo (2), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo do Rio preserve todas as provas relativas à ação. A decisão atendeu a um pedido da Defensoria Pública do Estado, que busca garantir a análise do caso pelo Ministério Público diante do alto número de mortes.

Em nota, a Defensoria afirmou que tem ouvido moradores das áreas afetadas e familiares das vítimas, “buscando assegurar que cada relato contribua para a necessária resposta institucional à violência estatal nunca antes vista”. O órgão também informou que mantém equipes mobilizadas “para garantir o respeito às garantias constitucionais e à transparência dos atos estatais”.

O ministro Moraes marcou para quarta-feira (5) uma audiência conjunta na Primeira Turma do STF para discutir a megaoperação. Foram convocados representantes do Conselho Nacional de Direitos Humanos, da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Alerj e do Instituto Anjos da Liberdade.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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