A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o debate ambiental assumiu papel central na disputa entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Apesar dos políticos manterem preservação ecológica em seus programas de governo, as propostas revelam divergências profundas sobre o papel do Estado na conservação dos biomas e no combate ao aquecimento global.
Visões opostas
A principal diferença entre as candidaturas reside na prioridade concedida ao tema. No plano petista, o enfrentamento ao aquecimento global é tratado como uma emergência que orienta a maior parte do planejamento estatal, com a expressão “mudanças climáticas” citada 38 vezes no documento.
Por outro lado, a proposta de Flávio Bolsonaro apresenta uma abordagem mais enxuta, mencionando o assunto apenas uma vez sob o termo “eventos climáticos extremos”.
Na visão da candidatura do PL, o meio ambiente é compreendido como um ativo econômico e estratégico. O candidato prioriza mecanismos de mercado, como o desenvolvimento da bioeconomia, a regulamentação do mercado de carbono e o pagamento por serviços ambientais, deixando em segundo plano ações transversais de adaptação climática.
Governo Lula
O debate eleitoral também resgata o histórico das duas forças políticas na gestão ambiental. Durante as administrações do PT, o país consolidou o Plano Clima, composto por planos de mitigação e iniciativas de adaptação urbana como os programas AdaptaCidades e Periferia Viva.
As gestões anteriores do partido registraram a criação de 231 Unidades de Conservação, a demarcação de 21 terras indígenas, a destinação de R$ 19,7 bilhões para fiscalização e a redução do desmatamento para níveis abaixo das médias históricas, além do fortalecimento do Fundo Amazônia e da criação de novas ferramentas financeiras.
Governo Jair Bolsonaro
Do outro lado, o histórico defendido por Flávio Bolsonaro está diretamente vinculado à gestão do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre 2019 e 2022 a destinação de recursos para os órgãos de fiscalização ambiental somou R$ 7,4 bilhões, com o congelamento do repasse de fundos para novos projetos e paralisação total nas demarcações de terras indígenas.
O período também ficou marcado pelo encerramento de programas de controle do desmatamento, dissolução de conselhos ambientais e transferência da gestão do Cadastro Ambiental Rural para o Ministério da Agricultura.
O cenário resultou no aumento das emissões de gases de efeito estufa, na perda de 45.612 km² de vegetação na Amazônia e no avanço do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.
A política ambiental da época ficou simbolizada pela fala do então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que sugeriu em reunião ministerial a flexibilização de normas regulatórias enquanto a atenção pública estava voltada à pandemia de covid-19.
*Com informações da Agência Brasil




