Você já percebeu como o gramado da Copa do Mundo 2026 está mais colorido? A presença massiva de chuteiras, tênis e acessórios na cor rosa não é um erro de fabricação, nem mera coincidência. O fenômeno, que ganha destaque nos pés dos principais craques do planeta, revela uma mudança profunda nas estratégias de marketing esportivo e no comportamento do consumidor.
Segundo Karine Karam, professora de Marketing da ESPM, a adoção simultânea do tom por diversas marcas exemplifica a “convergência de tendências”. Esse processo ocorre quando empresas observam os mesmos movimentos culturais e respondem com soluções de design semelhantes para garantir relevância.

O rosa como estratégia de visibilidade
Em um mercado saturado de estímulos, as marcas esportivas não disputam apenas a preferência técnica dos atletas, mas a atenção do público. O rosa se destaca visualmente nas transmissões de TV e, principalmente, nas redes sociais.
“O rosa se tornou uma poderosa ferramenta de visibilidade cultural. Elementos visuais capazes de gerar reconhecimento imediato e engajamento ganham enorme valor estratégico hoje”, explica Karine Karam.
Além do impacto visual, a cor cumpre uma função importante na era da criação de conteúdo. Cada drible ou gol compartilhado nas plataformas digitais atua como uma vitrine, e a cor vibrante garante que o produto seja notado instantaneamente, facilitando o compartilhamento e o alcance orgânico da marca.
Fim das barreiras de gênero e conexão cultural
A tendência também reflete uma quebra de paradigmas. As novas gerações já não associam o rosa a padrões rígidos de gênero. Para o consumidor atual, a cor comunica atributos como autenticidade, ousadia, modernidade e autoconfiança.
“A lógica atual é muito menos sobre ‘para quem a cor foi criada’ e muito mais sobre ‘o que essa cor comunica sobre quem a utiliza'”, destaca a especialista da ESPM.

Esporte, moda e cultura pop
A aproximação entre o universo do futebol, a moda e a cultura pop é outro motor dessa transformação. O consumidor contemporâneo busca mais do que desempenho; ele procura expressar sua própria identidade através dos produtos que utiliza.
Com essa mudança, a chuteira deixou de ser apenas um equipamento técnico. Ela se tornou um símbolo de estilo de vida. O sucesso das chuteiras rosas, portanto, indica que o esporte consolidou-se como uma plataforma de narrativa, onde cada detalhe visual ajuda a construir a marca pessoal do atleta e o posicionamento das empresas.
Para o futuro, a tendência é que as marcas continuem explorando linguagens visuais antes consideradas “não convencionais”, sempre em busca da próxima conexão cultural que desperte o desejo dos torcedores.