No Dia Mundial do Combate ao Câncer, lembrado nesta terça-feira (4), os números reforçam a dimensão do desafio no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o país registra cerca de 704 mil novos casos da doença por ano, mantendo o câncer entre os principais problemas de saúde pública.
Apesar do impacto, especialistas alertam que uma parcela significativa dos diagnósticos pode ser evitada. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que entre 30% e 50% dos casos são preveníveis, principalmente com a redução do tabagismo e do consumo de álcool, alimentação equilibrada, prática de atividade física e vacinação.
“Existe a ideia de que o câncer é sempre genético, mas isso não é verdade. Muitos casos estão diretamente ligados a fatores modificáveis, como fumo, álcool, excesso de peso, sedentarismo e exposição solar sem proteção”, explica a oncologista Dra. Laísa Silva, do Hospital Regional de Assis.
Entre os tipos mais frequentes no país, de acordo com o relatório do INCA, o câncer de pele lidera em ambos os sexos. Na sequência aparecem os tumores de mama (78.610 casos/ano) e próstata (77.920 casos/ano), que ultrapassam 70 mil novos casos anuais cada, além dos cânceres de cólon e reto (53.810 casos/ano), pulmão e estômago, fortemente associados a hábitos de vida.
Doença não tem idade
Vale lembrar que o câncer não tem idade definida. “Embora alguns tipos sejam mais comuns após os 40 anos, cresce o número de diagnósticos em pessoas jovens. Casos considerados atípicos têm sido registrados com maior frequência, o que reforça a importância de atenção aos sinais do corpo, independentemente da faixa etária”, destaca a oncologista Dra. Ticila Melo, da Imuno Santos.
A doutora destaca um exemplo recente, quando Bruna Furlan, de 24 anos, neta do apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, revelou o diagnóstico de um carcinoma mamário invasivo com metástase. “O câncer de mama costuma atingir mulheres acima dos 40 anos, mas isso não é regra. Estar atento a qualquer alteração no corpo é fundamental”, alerta.
Da descoberta à cura
O diagnóstico precoce é apontado como um dos principais fatores para o aumento da sobrevida e das chances de cura. Consultas regulares, exames preventivos e a investigação de sintomas persistentes são fundamentais para identificar a doença ainda em estágios iniciais, quando os tratamentos tendem a ser menos agressivos e mais eficazes.
Já de acordo com a oncologista Dra. Laísa Silva, o tratamento varia conforme o tipo de câncer e o quadro clínico do paciente, mas com os avanços da medicina, mais de 200 tipos de câncer já foram mapeados, ampliando as possibilidades terapêuticas e melhorando o prognóstico dos pacientes.
“Hoje sabemos que muitos casos podem ser prevenidos e que o diagnóstico precoce muda completamente a trajetória do câncer. Quando a doença é identificada no início, as chances de cura aumentam significativamente”, afirma a oncologista.
Servindo de alerta, de acordo com o relatório, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, situação que reforça o câncer como uma das principais causas de morte no país.
No entanto, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) enfatiza a importância da combinação entre prevenção, acompanhamento médico regular e acesso ao tratamento adequado, que segue sendo o caminho mais eficaz para reduzir o impacto do câncer no país e salvar vidas.