A economia da Argentina foi um dos temas do primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições brasileiras, realizado no domingo (18). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou o candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre a possibilidade de adotar no Brasil medidas econômicas semelhantes às do presidente argentino Javier Milei. (entenda mais abaixo as medidas argentinas)
A pergunta foi feita após Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio, citar o governo argentino como referência para reduzir impostos e a burocracia.
Apesar disso, os indicadores mostram um quadro mais complexo: a economia argentina voltou a crescer e a inflação desacelerou, mas pobreza e desemprego aumentaram, e o consumo interno e setores que geram empregos enfrentam dificuldades. Entenda mais abaixo como está a economia do país de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou o candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre a possibilidade de adotar no Brasil medidas econômicas semelhantes às do presidente argentino Javier Milei. Foto: Reprodução/Band.
O que mostram os números?
📈PIB: cresceu 2,3% no 1º tri e 2% no 2º tri de 2026 (comparação anual), mas recuou 0,6% no 2º tri sobre o 1º.
💸Inflação: caiu de quase 290% em 12 meses para cerca de 30% nos dois primeiros anos de Milei.
🏚️Pobreza: subiu de 28,2% para 32,3% da população no 1º semestre de 2026.
👥Desemprego: chegou a 7,9% no 2º tri de 2026.
🏢Empregadores formais: queda de 6,3% desde novembro de 2023.
Além disso, o PIB argentino subiu 2,3% no primeiro trimestre e 2% no segundo, na comparação com os mesmos períodos de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Porém, entre abril e junho, o PIB caiu 0,6% sobre os três primeiros meses do ano.
| Indicador (2º tri de 2026 vs. 1º tri, com ajuste sazonal) | Variação |
| PIB | -0,6% |
| Consumo privado | -2,4% |
| Consumo público | -2,3% |
| Investimentos | -0,8% |
No primeiro trimestre, agropecuária, pesca, mineração e intermediação financeira impulsionaram a economia argentina, enquanto a indústria de transformação recuou 1,7% e o comércio varejista caiu 0,3%. No segundo trimestre de 2026, pesca (+44,7%), mineração (+16,4%) e agropecuária (+6,9%) lideraram os avanços.
As exportações de bens e serviços cresceram 13,7%, enquanto as importações caíram 8,6% e a indústria manufatureira recuou 2,1%. O cenário revela uma recuperação desigual, com avanço dos setores exportadores e dificuldades nas atividades ligadas ao mercado interno.
Inflação caí e pobreza volta a subir
A desaceleração da inflação é um dos principais resultados reivindicados pelo governo Milei. O índice oficial, que chegou a quase 290% no acumulado de 12 meses, caiu para cerca de 30% nos dois primeiros anos da gestão. Em agosto de 2026, a inflação mensal foi de 1,7%, a menor desde junho de 2025. A estabilização veio com forte ajuste fiscal: cortes de gastos públicos, retirada de subsídios e outras medidas de austeridade.
A pobreza chegou a 52,9% em 2024 e caiu num primeiro momento, mas a melhora perdeu força em 2026. A pesquisa do Indec cobre 31 aglomerados urbanos e registrou a primeira alta do indicador em dois anos.
| Indicador | 2º semestre de 2025 | 1º semestre de 2026 |
| Pobreza (% da população) | 28,2% | 32,3% |
| Extrema pobreza | 1,9 milhão | 2,2 milhões |
⏯️O que é extrema pobreza? Pelo critério do Indec, são indigentes as pessoas cuja renda não basta para comprar uma cesta de alimentos que supra as necessidades diárias de energia e proteína.
Ainda de acordo com os dados, o desemprego chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, e quase metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade. Desde novembro de 2023, o número de empregadores com funcionários registrados caiu 6,3%.
No mesmo período, as importações de bens de consumo cresceram 34,7%, enquanto a produção industrial recuou 12% em relação ao primeiro semestre de 2023. Os números refletem os desafios da economia argentina, marcada pelo consumo enfraquecido, custos elevados e dificuldades de financiamento, fatores que pressionam trabalhadores e empresas.
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Texto de Marjorie Santos sob supervisão de Laís Seguin




