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Streaming, dial e interferência: o que tem de estar na pauta do rádio como setor

Compartilho pontos urgentes e que deveriam estar no centro das discussões sobre o presente e o futuro do rádio
Streaming, dial e interferências: o que precisa estar na pauta do rádio como setor

Entramos no segundo trimestre do ano e é comum que aquelas listas de intenções feitas no início do ciclo (com objetivos a serem alcançados, novas práticas e desafios que mereciam mais atenção) já estejam sendo revisitadas ou ajustadas. E com as empresas não é diferente, já que o planejamento definido no apagar das luzes do ano anterior passa, neste momento, por revisões, ajustes de rota e reavaliações de prioridades.

Para o rádio, são vários os temas que estão na mesa, precisando de atenção. E, quando falamos de setor, esses pontos são fundamentais para a manutenção do que já temos e até a busca por crescimento. Eu, com base nos dados que estudamos e também nas observações do dia a dia do nosso setor, chamo a atenção para alguns que considero urgentes: oferta de receptores, cuidado com o espectro FM e melhores práticas no digital.

Os três pontos andam juntos: o desafio, em um mundo de fragmentação, é manter ou ampliar as formas de como as pessoas chegam até você. Estando com um FM presente e um streaming mais disponível, o rádio acaba tendo duas vias poderosas que o mantêm onipresente. Manter essas vias, offline e conectadas, são atos estratégicos e até de sobrevivência. A fragmentação de consumo é irreversível e tende a gerar uma série de impactos diversos em nossa sociedade, sejam culturais, políticos, econômicos etc. E o rádio ainda parte de um ponto privilegiado. Observação: odeio e acho incorreto o uso da palavra “ainda” em muitas análises sobre rádio, mas, neste caso, me parece fazer sentido — e eu explico.

O receptor de rádio segue amplo na sociedade, mas existe, sim, um declínio do aparelho, principalmente em ambientes residenciais. Nesse caso, o streaming vai tomando espaço e, quando o rádio trabalha bem essa área, ele se mantém relevante.

Independentemente disso, trabalhar bem o online, com um streaming de qualidade e pronto para gerar receita, não impede um movimento de cuidado com o FM, nosso principal ativo na radiofrequência. Dialogamos com a indústria para a oferta de receptores modernos, de qualidade? Monitoramos e participamos ativamente dos movimentos da indústria automotiva quanto à presença do FM nesses locais? E o streaming de rádio está facilmente disponível nos dispositivos conectados? Manter o que temos, mas com apelos que tragam fatos novos, ofereçam algo a mais para os ouvintes e para o mercado, é algo que precisa estar na agenda de 2026.

E aí vem o outro ponto essencialmente brasileiro: temos um sério problema de interferências no Brasil. Não sou técnico na minha formação, mas converso com muitos que são referência no setor e, como jornalista e analista especializado, faço muitos testes e reporto a eles. E me assusta a quantidade de interferências no sinal de rádio. Isso ocorre por vários motivos.

Vão desde lâmpadas de LED residenciais/comerciais que atrapalham ou até apagam o sinal do rádio em mercados, shoppings e nas casas, até todo tipo de interferência elétrica causada pelos nossos remendos e pelo mau uso do espectro em nossas grandes cidades. Não adianta garantir o melhor receptor moderno de rádio no mercado se a experiência ao ouvir rádio for ruim. E isso envolve o visual, inclusive minha insistência no uso de RDS e metadados. Isso é sério.

Por fim, vem outro ponto que também estou batendo na tecla nos últimos anos: qualidade no streaming. Precisa ter áudio bom, pensado de forma estratégica, como fazemos ao entregarmos a rádio no FM. O áudio digital leva vantagem em qualidade, a depender do dispositivo utilizado, e toda a expertise dos nossos profissionais técnicos e artísticos faz uma música ou conteúdo de áudio ser mais poderoso no streaming de rádio do que no streaming de música/podcast.

O contrário também se aplica: a experiência negativa, caso o streaming de rádio esteja acanhado ou inconstante, faz os demais serviços parecerem superiores e ainda contamina a imagem de uma rádio no dial. Outro ponto de atenção.

Esses pontos são as bases de sustentação para qualquer outra coisa que desejamos fazer com nossas emissoras e com o setor. Vai ser multiplataforma, com vídeo? Forte em redes sociais? Eventos? Presente em qualquer tecnologia e dispositivo existente ou que ainda será inventado? Gerar novas receitas? Manter e aumentar as atuais? Brigar pelo bolo publicitário? Criar novos negócios? Tudo isso só é possível ou potencializado se a base estiver garantida. Falar do básico e cuidar dele é essencial.


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Autor

  • Daniel Starck

    Jornalista, empresário e proprietário do tudoradio.com, maior portal brasileiro dedicado à radiodifusão, com mais de 20 anos no ar. É formado em Comunicação Social pela PUC-PR e teve passagens por emissoras como CBN, Rádio Clube e Rádio Paraná. Atua como consultor e palestrante nas áreas artística e digital do rádio, com participação em eventos promovidos por entidades como SET, AESP, AMIRT, ACAERT, ASSERPE, AERP e MidiacomPB. Também possui conhecimento na área de tecnologia, com foco em aplicativos, mídia programática, novos devices, inteligência artificial, sites e streaming.

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