A distância entre os preços das carnes bovina e suína atingiu o maior patamar dos últimos quatro anos no Brasil. Segundo dados do Cepea (USP) divulgados nesta quinta-feira (9), a diferença no valor das carcaças chegou a R$ 14,26 por quilo em março de 2026. O cenário é provocado por uma “gangorra” econômica: enquanto o boi gordo bate recordes de preço impulsionado pelas exportações, o suíno sofre desvalorização devido à baixa procura interna durante a Quaresma.

Entenda a “gangorra” de preços
O atual diferencial de preços é o mais elevado desde abril de 2022, quando a distância era de R$ 14,66. Em relação a fevereiro deste ano, o salto na diferença entre as proteínas foi de 6,8%.
Dois fatores principais explicam esse movimento oposto nos mercados:
- Carne Bovina (Alta): A baixa oferta de animais prontos para o abate e o ritmo recorde de exportações sustentam os preços elevados.
- Carne Suína (Queda): A baixa liquidez no mercado interno, típica do período da Quaresma, reduziu o valor da proteína no atacado.

Carne bovina: Recorde nas exportações
O setor de bovinos vive um momento de forte valorização. A carcaça casada bovina na Grande São Paulo teve alta de 2,6% em março, fechando com média de R$ 24,32/kg. No campo, a arroba do boi gordo atingiu o valor histórico de R$ 365,00 no estado de São Paulo.
O grande motor dessa alta é o mercado internacional. De janeiro a março de 2026, o Brasil exportou 701,662 mil toneladas de carne bovina in natura, um volume 19,7% superior ao mesmo período de 2025. A China segue como o principal destino, acompanhada por Estados Unidos e Chile.

Carne suína ganha competitividade
Para o consumidor, a carne suína tornou-se uma alternativa mais acessível. A carcaça especial suína no atacado paulista fechou março com média de R$ 10,06/kg, um recuo de 2,8% frente a fevereiro.
No interior de São Paulo, o preço do suíno vivo chegou a cair 16% em um único mês, sendo negociado a uma média de R$ 6,91/kg. Além da Quaresma, produtores estão em alerta com o conflito no Oriente Médio, que, embora não seja o principal destino da carne, pode encarecer fretes e seguros marítimos.
Perspectivas para abril
Neste início de abril, a tendência para a carne bovina permanece de alta, com oferta restrita de animais e demanda externa aquecida. Já para a suinocultura, o mercado aguarda a retomada da liquidez após o período religioso e monitora os impactos logísticos globais.