Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Lei da Reciprocidade: Brasil avalia resposta às tarifas dos Estados Unidos

Governo abriu procedimento para avaliar possíveis medidas contra tarifas americanas, enquanto entidades defendem negociação e alertam para impactos econômicos

O governo brasileiro iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A abertura do procedimento, porém, não significa que o Brasil já tenha decidido retaliar os norte-americanos. Entidades do setor produtivo defendem cautela e diálogo para evitar uma escalada comercial que possa elevar custos e afetar empresas, consumidores e investimentos.

Brasil abre processo para avaliar resposta

O procedimento foi iniciado na quinta-feira (13), após os Estados Unidos adotarem novas tarifas sobre produtos brasileiros. A medida permite ao governo avaliar alternativas diante das barreiras comerciais impostas por Washington.

A legislação brasileira prevê diferentes mecanismos de resposta, incluindo a aplicação de tarifas equivalentes, medidas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a revisão de determinados benefícios comerciais concedidos aos Estados Unidos.

Antes da adoção de medidas definitivas, o processo prevê uma etapa de análise dos impactos econômicos e consulta pública. A avaliação deve considerar quais setores brasileiros foram afetados e quais seriam as consequências de uma eventual reação.

Tarifas dos EUA podem chegar a 37,5%

As medidas norte-americanas passaram a incluir uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros a partir de 22 de julho. A cobrança foi adotada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Em determinados casos, a carga adicional pode alcançar 37,5%, considerando a combinação da tarifa de 25% com uma sobretaxa de 12,5% relacionada a outra investigação envolvendo produtos associados ao trabalho forçado.

As novas cobranças são aplicadas sobre as tarifas de importação que já existiam. Na prática, um produto que tinha uma alíquota de 5% pode passar a enfrentar uma carga de 30% com a inclusão da sobretaxa de 25%.

Setor produtivo alerta para aumento de custos

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifestou preocupação com uma possível intensificação do conflito comercial. A entidade avalia que tarifas sobre matérias-primas, máquinas, equipamentos e tecnologias utilizados pela indústria podem elevar os custos de produção.

Segundo a federação, o aumento das despesas pode comprometer investimentos, competitividade e empregos. A entidade defende que os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade sejam utilizados de maneira estratégica, sem transformar a disputa em uma guerra comercial.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) também recomendou que o país priorize as negociações com o governo dos Estados Unidos. A entidade avalia que uma eventual retaliação pode aumentar os custos para empresas e consumidores, além de afetar cadeias produtivas e investimentos entre os dois países.

Processo ainda não representa retaliação

A abertura do procedimento não significa que o governo brasileiro tenha decidido aplicar tarifas sobre produtos norte-americanos. O rito previsto na legislação inclui consultas diplomáticas, análise técnica e consulta pública antes de uma eventual decisão.

A consulta pode durar até 30 dias e, posteriormente, o caso deve ser encaminhado à Câmara de Comércio Exterior (Camex), acompanhado de informações sobre as barreiras adotadas pelos Estados Unidos e os setores brasileiros atingidos.

Se houver aprovação para uma resposta, um grupo de trabalho poderá elaborar as medidas a serem adotadas. Em situações consideradas excepcionais, a legislação também permite a implementação de medidas provisórias de forma imediata.

Governo diz que pretende avaliar impactos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o acionamento da Lei da Reciprocidade, mas afirmou que não pretende transformar a questão em um confronto com o governo norte-americano.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também ressaltou que a abertura do processo não determina necessariamente a adoção de contramedidas. Segundo ele, o governo pretende analisar os efeitos das tarifas sobre os diferentes setores da economia e ouvir empresas antes de definir os próximos passos.


Continua após a publicidade

Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

VEJA TAMBÉM

Notícia sobre malha fina: tela do celular com o sistema da Receita Federal (Ministério da Economia) ao lado de um teclado, em imagem de reportagem.

Receita paga R$ 1,26 bilhão da malha fina nesta quarta; veja quem recebe

Notas de real empilhadas ao fundo, sugerindo crise financeira e impacto nas contas das famílias, com destaque para o dado: Inadimplência das famílias chega a 6%, maior nível da série histórica.

Inadimplência das famílias chega a 6%, maior nível da série histórica

Dinheiro em cédulas de real sobre fundo azul, representando finanças e possibilidade de Renegociação de dívidas com foco em organização e planejamento financeiro.

Renegociação de dívidas é prorrogada até outubro; veja quem pode participar

Dinheiro brasileiro em notas de 10 e 50 reais sendo manuseado por mãos, com indicação de Desenrola 3.0 sobre dívidas compradas pela União.

Desenrola 3.0 terá dívidas compradas pela União; entenda como vai funcionar

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.