O Partido da Causa Operária (PCO) decidiu orientar seus eleitores a votar nulo no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi aprovada no domingo (11), durante a 39ª Conferência Nacional da legenda, realizada em São Paulo. O partido divulgou a posição na segunda-feira (12), por meio do Diário Causa Operária, veículo ligado à organização.
Segundo o PCO, nenhum dos dois candidatos representa os interesses da classe trabalhadora. A legenda afirma que apoiar Lula significaria subordinar os trabalhadores a uma aliança política ligada aos interesses do chamado “grande capital”. Ao mesmo tempo, rejeita a candidatura de Flávio Bolsonaro por considerá-la incompatível com seu programa revolucionário.
Por que o PCO orienta voto nulo no 2º turno?
O partido justifica a decisão com o argumento de que precisa manter a independência política da classe trabalhadora. Por isso, rejeita a estratégia de apoiar Lula para impedir uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
A legenda também critica a política econômica do governo federal, o arcabouço fiscal e a aproximação do PT com setores da direita e com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o PCO, essas posições mostram que o atual governo não atende às condições que o partido considera necessárias para representar os interesses dos trabalhadores.
Rui Costa Pimenta critica aliança do PT com o STF
O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, reafirmou a posição da legenda em publicações na rede social X, antigo Twitter. O dirigente afirmou que o partido não considera Lula e Flávio Bolsonaro candidatos equivalentes, mas disse que essa diferença não muda a orientação para o segundo turno.
“Nossa posição é pela independência de classe e pela revolução. Não vemos que o Lula neste momento preencha essas condições”, escreveu Pimenta.
O dirigente também criticou a relação do PT com o Supremo Tribunal Federal. “O PT fez uma aliança com aquilo que tem de pior no regime político brasileiro, que é o STF”, declarou.
A posição provocou críticas de parte dos apoiadores do partido, segundo as informações divulgadas pela legenda.
PCO apoiou Lula em eleições anteriores
A orientação pelo voto nulo representa uma mudança em relação à eleição presidencial de 2022, quando o PCO apoiou Lula desde o primeiro turno.
A legenda também declarou apoio ao petista nas disputas presidenciais de 1989, 1994 e 1998. Em 2018, voltou a defender a candidatura de Lula, mas a Justiça Eleitoral impediu a participação do então ex-presidente na disputa. Na ocasião, o partido não transferiu o apoio para Fernando Haddad (PT), escolhido para substituir Lula.
Entre 2002 e 2014, o PCO adotou outras estratégias eleitorais e não apoiou Lula nos segundos turnos, conforme o histórico apresentado pela sigla.
Rui Costa Pimenta recebeu 15 mil votos no primeiro turno
Rui Costa Pimenta disputou a Presidência da República em 2026 pelo PCO e recebeu 15.024 votos no primeiro turno, segundo os dados apresentados no material de referência.
O dirigente também participou da fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980, e permaneceu na legenda até 1992, quando deixou o PT.
Com a decisão aprovada na conferência nacional, o PCO orienta seus eleitores a não escolher nenhum dos dois candidatos que disputam o segundo turno presidencial.




