Clubes brasileiros passaram a discutir a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro em reação à medida provisória que proibiu a atuação e a publicidade das casas de apostas no país.
A articulação ganhou força nos bastidores na última segunda-feira (28) e busca pressionar o governo federal por alternativas para compensar as perdas financeiras provocadas pelo fim dos contratos com as bets.
A paralisação ainda não está definida. No entanto, dirigentes de diferentes equipes avaliam a possibilidade de não entrar em campo como forma de aumentar a pressão sobre o governo.
Entre as principais reivindicações está a criação de um período de transição de seis meses a um ano para o encerramento dos contratos de publicidade com as empresas de apostas.
Além disso, os clubes defendem a criação de uma linha de crédito com juros mais baixos. A medida serviria para ajudar as equipes a reorganizar as contas diante da perda de receitas e dos compromissos financeiros já previstos para a próxima temporada.
Reunião com governo é cancelada
A movimentação dos clubes também afetou uma reunião que estava prevista para terça-feira (29), em Brasília. O encontro reuniria dirigentes e representantes do governo federal para discutir os efeitos da proibição das bets no futebol.
Entretanto, diversos presidentes de clubes sinalizaram que não participariam da reunião, e o encontro acabou cancelado. A discussão deverá ser retomada posteriormente.
Os dirigentes pretendiam discutir principalmente alternativas para substituir as receitas provenientes dos patrocínios de apostas. Parte dos clubes já havia incluído esses valores no planejamento financeiro de 2027 e agora precisam encontrar novas fontes de recursos.

Clubes querem participação da CBF
A possível paralisação também tem como objetivo aumentar a participação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nas negociações. Os clubes esperam que a entidade atue junto ao governo na busca por alternativas para o setor.
Nesse contexto, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) protocolou um pedido para participar, no Supremo Tribunal Federal (STF), do processo que questiona a medida provisória responsável pela proibição das bets. A iniciativa foi vista por dirigentes como um sinal de maior envolvimento da entidade no debate.
Impacto financeiro preocupa clubes
A reação dos clubes está diretamente relacionada ao peso que as empresas de apostas conquistaram no futebol brasileiro nos últimos anos. Segundo relatório da consultoria Convocados, os patrocínios das bets aos clubes da Série A movimentaram cerca de R$ 1,03 bilhão em 2025, valor 66% superior ao registrado no ano anterior.
Enquanto os clubes articulam uma reação conjunta, o governo mantém a posição de que a proibição não deverá prejudicar o futebol e defende que as equipes busquem outras fontes de receita.
“Esse negócio da gente ter acabado com as bets não traz nenhum prejuízo para o futebol. Os melhores momentos da história do futebol brasileiro não existiam bets. E os clubes que se virem. Nós já aprovamos a lei que os clubes podem virar empresa. Agora é preciso colocar gente de competência para fazer empresa”, dissse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante um evento realizado em Brasília.





