Uma grave irregularidade abalou os bastidores do futebol holandês. Com a temporada da Eredivisie se aproximando do fim, cerca de 133 partidas podem precisar ser disputadas novamente. Essa situação ocorreu porque vários jogadores entraram em campo sem possuir o visto de trabalho necessário.
A polêmica veio à tona depois que o NAC Breda iniciou uma disputa judicial contra o Go Ahead Eagles. O clube de Breda, que sofreu uma goleada por 6 a 0 nessa partida, contestou o resultado alegando que o adversário utilizou o lateral Dean James de maneira irregular. O jogador é nascido na Holanda, mas se naturalizou indonésio.
“Não se trata de sentimentos, é uma regra simples. Trata-se de escalar um jogador inelegível”, disse o advogado da NAC em audiência preliminar.
Conforme levantamento da emissora local NOS, o caso envolvendo Dean James não é um fato isolado. Cerca de outros 13 jogadores, espalhados por oito equipes diferentes, também estariam em situação irregular na Eredivisie. Esses atletas optaram por defender seleções como Cabo Verde, Indonésia, Suriname, Togo e Trinidad e Tobago. Ao todo, 133 jogos do campeonato nacional estão sob suspeita de irregularidade.

O que pode acontecer?
Pela legislação holandesa, qualquer cidadão nascido no país que decida adquirir uma nova nacionalidade perde automaticamente o passaporte local. Consequentemente, esses profissionais são obrigados a solicitar um visto de trabalho para poder atuar no país.
Como não conseguiram a emissão dos vistos de trabalho, os jogadores estavam legalmente impedidos de entrar em campo pelo Campeonato Holandês.
“Ao jogarem por esses países, eles perdem a cidadania holandesa. E quem tem passaporte de fora da União Europeia ou da Suíça precisa de uma autorização de trabalho para trabalhar na Holanda”, disse o especialista em direito desportivo, Joost Verlaan, à emissora NOS.
Agora, a Real Federação Holandesa de Futebol (KNVB) avalia as alternativas para contornar o problema. A possibilidade de ter que remarcar mais de uma centena de partidas torna o cenário extremamente complexo para a organização do torneio, mesmo com o PSV já tendo garantido o troféu da competição com antecedência.
“A liga sofreria um duro golpe em sua imagem . As partidas deveriam ser disputadas em campo, não nos tribunais. Isso afeta mais da metade das partidas da Eredivisie e quase todos os clubes. Será um caos”, disse Marianne van Leeuwen, presidente da Real Federação Holandesa de Futebol.