O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a proibição das casas de apostas no Brasil e criticou os clubes de futebol que contestam a medida.
Em discurso a jornalistas, na noite de quinta-feira (8), em Brasília, ele questionou por que as equipes ainda não adotaram o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para estruturar suas atividades como empresas.
“Enquanto eu for presidente, nós não vamos permitir que o leite, o pão e o feijão da família sejam utilizados para enriquecer e para lavagem de dinheiro nesse país”, disse.
Durante a declaração, Lula argumentou que os clubes precisam buscar alternativas de financiamento e reduzir a dependência dos patrocínios de empresas de apostas, que ocupavam espaços de destaque nos uniformes de diversas equipes brasileiras.
“Os times podem virar empresas. Vocês estão lembrados que há três décadas todo mundo só falava em virar empresa. Agora pode virar empresa, por que não estão virando?”, questionou Lula.
Na sequência, Lula afirmou que os clubes precisam encontrar outras formas de manter suas operações e criticou a presença das plataformas de apostas no financiamento do futebol.
“Por que encontraram a facilidade do cassino? Encontraram a facilidade dentro da casa das pessoas pelo celular? Então, não vai ter mais isso. Vão ter que se virar, montar empresas e fazer o futebol funcionar como funciona em muitos lugares do mundo”, concluiu.
Confira o discurso de Lula sobre bets e SAFs na íntegra
“Eu sei que tem algumas pessoas incomodadas que nós acabamos com as bets. E nós temos que dizer, em alto e bom som, que as bets viraram neste país uma desgraça para o povo pobre.
Os times de futebol não têm nenhum razão quando falam: “ah, o futebol vai morrer”. O futebol era muito mais vivo quando não tinha bets. Fomos cinco vezes campeões do mundo sem bets. Depois das bets, mais nada.
O Flamengo foi campeão do mundo sem bet, São Paulo foi três vezes sem bets, Grêmio foi sem bet, Internacional foi sem bet, o Corinthians foi duas vezes sem bet. Depois das bets, ninguém ganhou mais nada.
Então, é o seguinte, os times também não têm o direito de extorquir os torcedores que já gastam dinheiro para ir ao estádio, para comprar camisa do time (…)
Além dos torcedores contribuírem com isso, eles ainda querem que os torcedores gastem seu dinheiro apostando nas bets para poder financiar o futebol.
Os times podem virar empresas. Vocês estão lembrados que há três décadas todo mundo só falava em virar empresa. Agora pode virar empresa, por que não estão virando?
Por que encontraram a facilidade do cassino? Encontraram a facilidade dentro da casa das pessoas pelo celular? Então, não vai ter mais isso. Vão ter que se virar, montar empresas e fazer o futebol funcionar como funciona em muitos lugares do mundo“.
Clubes protestaram
A declaração ocorre em meio à reação de parte do futebol brasileiro à Medida Provisória que proibiu as operações das plataformas de apostas no país. Com o fim do prazo de adequação, em 5 de outubro, os clubes precisaram retirar as marcas das empresas dos uniformes e de outros espaços publicitários.
Durante a 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, mensagens contrárias à medida foram exibidas em placas de publicidade nos estádios. O Flamengo também levou a frase “Proibir não é proteger” ao uniforme utilizado no empate com o Santos, na quinta-feira (8).
A proibição provocou mudanças nos contratos de patrocínio e levou equipes a buscar alternativas comerciais. A medida provisória ainda depende de análise do Congresso Nacional para manter seus efeitos de forma definitiva.





