Os planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República no segundo turno das eleições de 2026, apresentam propostas diferentes para o desenvolvimento do esporte brasileiro.
Embora os dois relacionem a prática esportiva à educação e à formação de jovens, as principais divergências aparecem nas políticas de infraestrutura, no incentivo ao esporte feminino e nos modelos de gestão.
Enquanto Lula defende a continuidade e a ampliação de programas públicos, Flávio destaca a participação da iniciativa privada e o uso do esporte como ferramenta de disciplina, formação pessoal e prevenção da violência.
Esporte como instrumento de inclusão social
O programa de Lula apresenta o esporte como uma política pública capaz de promover inclusão social, desenvolvimento humano e geração de emprego e renda. Além disso, a proposta também considera o setor parte da economia criativa e valoriza sua relação com a cultura e o turismo.
Já Flávio Bolsonaro enfatiza o papel da atividade física na formação dos jovens e na prevenção de situações de risco. O candidato defende que o esporte contribua para desenvolver disciplina, resiliência e trabalho em equipe, além de aproximar crianças e adolescentes do ambiente escolar.
Educação e formação de atletas
Na área educacional, Flávio propõe o programa Escola nas Férias, com a abertura de unidades de ensino durante os períodos de recesso para oferecer atividades aos estudantes. O plano também prevê parcerias entre escolas, clubes, faculdades e universidades para ampliar as oportunidades de prática esportiva.
O candidato do PL, porém, não menciona diretamente o Bolsa Atleta, programa federal de apoio financeiro a esportistas. Em seu plano, ele prevê o aperfeiçoamento de bolsas para atletas de alto rendimento, com participação da iniciativa privada.
Lula, por sua vez, destaca a criação da Universidade do Esporte, voltada à pesquisa, à inovação, à tecnologia e à formação de profissionais especializados. A proposta busca fortalecer a estrutura técnica e administrativa do setor.
Infraestrutura e gestão esportiva
O plano de Lula prevê a continuidade dos investimentos em equipamentos esportivos, incluindo iniciativas vinculadas ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e ao projeto Arena Brasil.
Além disso, o candidato também defende parcerias com estados, municípios e organizações sociais para ampliar o acesso da população às atividades.
Por outro lado, Flávio aposta em parcerias público-privadas para aproveitar a infraestrutura das escolas e estimular a criação de equipes estudantis, treinamentos no contraturno e competições municipais e estaduais. O programa também prevê o incentivo ao uso de tecnologia e análise de dados por clubes e confederações.
As propostas refletem visões diferentes sobre a atuação do poder público: enquanto Lula prioriza a manutenção de políticas estruturantes e investimentos governamentais, Flávio enfatiza a participação de agentes privados na expansão das oportunidades esportivas.
Confira os planos de governo dos dois candidatos:
Esporte feminino e Copa do Mundo de 2027
A abordagem do esporte feminino é outro ponto de divergência entre os candidatos. O plano de Lula destaca a realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será disputada no Brasil, e prevê investimentos para apoiar o evento em oito capitais brasileiras. A proposta também associa a competição ao desenvolvimento do turismo.
No documento de Flávio Bolsonaro, a única menção direta ao esporte feminino trata da exclusão de atletas transexuais de competições. O programa não apresenta propostas específicas para a Copa do Mundo de 2027 nem cita o Bolsa Atleta.
Assim, os dois candidatos reconhecem a importância do esporte para a formação de jovens, mas apresentam caminhos distintos para financiar, organizar e ampliar o acesso às atividades esportivas no país.





