Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Foi à praia com a amante e apareceu no drone da prefeitura: pode isso?

Entenda quando uma gravação feita em área pública pode gerar problemas legais e quais direitos podem ser envolvidos na divulgação

Uma ida à praia pode virar dor de cabeça quando um drone da prefeitura registra a cena e a imagem acaba publicada.
Mas, afinal, estar em local público significa abrir mão do direito à própria imagem?

Mas a praia não é um lugar público?
Sim. Porém, isso não significa que tudo possa ser divulgado livremente. A Constituição protege a imagem, a intimidade e a vida privada. Aparecer incidentalmente em uma gravação é diferente de ser identificado e colocado no centro da publicação.

E quando o drone é da prefeitura?
O município pode utilizar drones para segurança, fiscalização, turismo e outras finalidades públicas. Mas a finalidade pública da gravação não autoriza automaticamente a exposição individual das pessoas captadas.
Quanto maior o destaque dado à pessoa, maior pode ser a discussão sobre eventual violação de seus direitos.

“Mas eu estava na praia com minha amante…”
O problema jurídico não é a existência da amante, mas a possibilidade de a imagem revelar um aspecto da vida privada.
Se a gravação permite identificar claramente a pessoa e sua companhia, especialmente em contexto pessoal, a divulgação pode ultrapassar os limites de uma simples imagem de praia.

E o Tribunal de Justiça de São Paulo?
O TJSP analisa casos desse tipo considerando o contexto. Há situações em que a utilização de imagens feitas em locais públicos é considerada legítima e outras em que a exposição é considerada abusiva.
A regra prática é: local público não significa ausência total de direito à privacidade.

E se o portal de notícias publicar o vídeo?
A imprensa tem liberdade para informar, e uma pessoa que aparece incidentalmente em uma reportagem não necessariamente precisa autorizar a publicação.
Mas uma coisa é mostrar a praia com pessoas ao fundo. Outra é utilizar a imagem para expor especificamente a vida pessoal de alguém.

E a LGPD?
A LGPD possui exceção para atividades exclusivamente jornalísticas. Por isso, em uma reportagem, a discussão envolve principalmente Constituição, Código Civil, direito à imagem, privacidade e liberdade de informação.
Quando a própria prefeitura trata essas imagens para finalidades administrativas, a proteção de dados também pode ser relevante.

Dá para pedir indenização?
Pode, dependendo do caso.
A possibilidade aumenta quando a pessoa é identificável, aparece em destaque e a divulgação invade sua intimidade, prejudica sua honra ou utiliza sua imagem de maneira indevida.
O STJ possui a Súmula 403 sobre utilização não autorizada da imagem com finalidade econômica ou comercial, mas isso não significa que toda publicação jornalística sem autorização gere indenização.

O que fazer se isso aconteceu de verdade?
Guarde o vídeo, faça capturas de tela, salve o endereço da publicação e registre quando ela foi divulgada.
Também é importante identificar quem produziu o material e qual foi a finalidade da divulgação. Dependendo do caso, pode ser possível pedir a retirada ou o desfoque da imagem e, se necessário, buscar orientação jurídica.

Afinal, quem está errado?
Depende de como a imagem foi captada e divulgada.
Se você aparece por alguns segundos no meio de centenas de banhistas, é uma situação. Se o drone fez praticamente um “close” e sua vida amorosa virou conteúdo, é outra.
A praia é pública. Sua vida privada não necessariamente é.

E fica o alerta para os romances clandestinos:
• Antigamente, o perigo era encontrar um vizinho.
• Hoje, é encontrar o drone da prefeitura em 4K.
• Porque explicar “eu estava na praia” já pode ser difícil.
• Explicar quem estava passando protetor solar nas suas costas pode ser ainda pior.
• E por fim, explicar para a esposa que passeio foi esse…
Boa sorte!

Acompanhe os nossos conteúdos jurídicos:
Instagram
• @joaofreitas.adv
• @joaofreitasadvogadosassociados
Facebook
• @joaofreitasadvogadosassociados
Youtube
• @semjuridiquescomjoaofreitas
Tiktok
• joaofreitas.adv

AVISO LEGAL: este artigo fornece apenas informações genéricas e não pretende ser aconselhamento jurídico e não deve ser utilizado como tal. Se você tiver alguma dúvida sobre seus assuntos de direito de família, procure um advogado de sua confiança.


Continua após a publicidade

Autor

  • João Freitas

    João Freitas é advogado, especialista em Direito de Família e Sucessões, com mais de 30 anos de atuação. Fundador do escritório João Freitas Advogados Associados, atua de forma estratégica em questões como divórcios, pensão alimentícia, curatela e inventários. É colunista jurídico e criador do canal “Sem Juridiquês com João Freitas”, onde traduz o Direito de forma clara e acessível.

VEJA TAMBÉM

Neymar durante aquecimento

Neymar volta quando? Santos define planejamento para retorno do camisa 10

sobrevivente-queda-helicóptero

Sobrevivente de queda de helicóptero tentou usar identidade falsa para não ser preso, diz polícia

Montagem de duas fotografias do cantor sertanejo Rick com a sua família. À esquerda, um grupo de nove pessoas posa sorridente em frente ao famoso globo da Universal Studios num dia ensolarado. À direita, uma selfie em plano aproximado mostra o cantor Rick, sorridente e com barba grisalha, ao lado da filha Mônica e do seu filho Victor, num ambiente ao ar livre.

Quantos filhos Rick, da dupla com Renner, tem? Veja quem são os herdeiros

ALEXANDRE PIRES

Advogado afirma que Alexandre Pires jamais teve envolvimento com garimpo

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.