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Gargalos logísticos no Brasil elevam custos e exigem ação

Encontro em Brasília reúne setor produtivo, parlamentares e especialistas para mapear gargalos e propor soluções
investimento em infraestrutura: Reunião em sala de conferências com participantes ao redor de uma mesa, durante seminário sobre gargalos logísticos no Brasil, com apresentação em tela ao fundo e foco em ação.

O encontro em Brasília

O tema foi debatido em um encontro realizado em Brasília, promovido pelo Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) em parceria com a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos. O evento reuniu representantes do setor produtivo, especialistas e parlamentares para discutir os principais gargalos logísticos do país e formas de elevar a competitividade logística do Brasil.

Principal gargalo: investimento insuficiente

Entre os pontos levantados, a falta de investimento em infraestrutura apareceu como o principal desafio. Atualmente, o Brasil investe cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, percentual considerado baixo em comparação com outros países.

“Eu acho que aqui nesses diálogos que a gente teve hoje, a gente chegou a conclusão que o principal gargalo é a falta de investimento em infraestrutura. É, o Brasil investe apenas 2% do PIB na infraestrutura, conta, por exemplo, o investimento da China de 13% ou dos Estados Unidos de 7%. Então, acho que temos que retomar o conceito do investimento público em infraestrutura. O Brasil precisa crescer na sua sua infraestrutura e as grandes obras de infraestrutura, elas são é de competência do Governo Federal, porque são investimentos em estradas, em dragagens, é em melhorias do sistema ferroviário. Então acho que esse foi a grande mensagem aqui, precisamos retomar os investimentos em infraestrutura”

afirmou Caio Morel, presidente executivo da Abratec.

investimento em infraestrutura: Caio Morel, presidente executivo da Abratec, em entrevista ao microfone durante evento com painel “SEMIN AGROPOR 2026”. Ao fundo, imagens de infraestrutura e estande institucional.
Caio Morel, presidente executivo da Abratec

Integração multimodal e custos logísticos

Esse cenário impacta diretamente os custos logísticos e, consequentemente, o preço final dos produtos, incluindo o custo do frete no Brasil. Segundo os participantes, o problema começa antes mesmo da carga chegar aos portos: a falta de integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias encarece o transporte e reduz a competitividade do país.

De acordo com os debatedores, os gargalos logísticos podem representar até 30% do custo de algumas commodities brasileiras.

“Então, é é como se nós eh tivéssemos numa corrida com o restante do mundo carregando um piano nas costas. E ainda assim, a gente consegue chegar nos mercados mais exigentes do mundo. Nós temos uma produção espetacular e que tem um potencial de crescimento muito grande”

afirmou a deputada Daniela Reinehr, vice-presidente da FPPA.

Deputada Daniela Reinehr em entrevista, em evento sobre investimento em infraestrutura, com microfone da SBT e painel institucional ao fundo.
Deputada Daniela Reinehr, vice-presidente da FPPA

Agronegócio e infraestrutura portuária

No agronegócio, a dependência da logística é ainda mais evidente.

“Bom, primeiro reforçar a importância desses temas caminharem conjuntamente, não é? O agro e o setor portuário não são dois setores que não se convergem que não se comunicam. São setores que dependem um do outro umbilicalmente. A necessidade de interação, então, da parte política e da parte de desafios legislativos e desafios também de políticas públicas são comuns. Afinal de contas, o agronegócio brasileiro, ao lado da mineração, são os dois setores com a maior contratação de frete do país. São os grandes contratantes de frete. Por essa razão, a demanda por infraestrutura portuária tem uma correlação relação dos custos logísticos para o agronegócio, seja através da importação de fertilizantes, já que o Brasil depende da importação de praticamente 90% do fertilizante, do adubo que consome, do químico que consome, né? E também na hora de exportar o grão, né? O milho, o soja, o farelo, também os outros produtos como o açúcar, né? As proteínas animais, as carnes, também, é, o etanol, que é um produto muito importante no no no cardápio brasileiro de oferta aí de exportação e por essa razão tudo isso depende da infraestrutura portuária”

disse o deputado membro da FPPA Tião Medeiros (Progressistas-PR).

Planejamento de longo prazo: lacunas e críticas

Outro ponto destacado foi a falta de planejamento de longo prazo no país.

“Eu eu vejo com muita tristeza certeza que o nosso país, infelizmente, não tem tido nos últimos anos uma preocupação e um planejamento objetivo a respeito desse assunto. No Brasil, desde a redemocratização, quando saímos dos governos militares, se criou um preconceito contra tudo aquilo que veio dos governos militares, entre eles o planejamento. O planejamento, eu entendo, eu pessoalmente entendo, que é algo algo fundamental em qualquer setor”

disse o deputado Arthur Maia, membro da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos.

Deputado Arthur Maia, vice-presidente da FPPA, concedendo entrevista ao microfone de TV em ambiente externo com árvores e iluminação natural. Destaque para pauta de investimento em infraestrutura.
deputado Arthur Maia, Vice-presidente da FPPA

Próximos passos e riscos

A proposta do encontro é consolidar um conjunto de diagnósticos e sugestões que possam ser levados aos próximos candidatos à Presidência da República. A avaliação dos participantes é que, sem investimentos e planejamento, o país corre o risco de continuar produzindo em alta escala, mas perdendo competitividade no cenário internacional por causa dos custos logísticos.


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Autor

  • Maycon Leão

    Correspondente da VTV em Brasília. Direto da capital federal, atualiza os bastidores da politica e as movimentações que afetam nossa região.

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