O Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI) promoveu, em Brasília, o Marinha Day, encontro que reuniu representantes da Marinha do Brasil, do governo federal, do setor portuário e da iniciativa privada. O objetivo foi aproximar os diferentes atores ligados à infraestrutura aquaviária e discutir desafios que interferem na navegação, na movimentação de cargas e na competitividade do país.
Durante o evento, mapas, dados e apresentações ajudaram a dimensionar a importância dos rios e do mar para a economia brasileira. A programação tratou de assuntos regulatórios, convenções internacionais, segurança da navegação, exploração das hidrovias, canais de acesso aos portos e formação dos profissionais aquaviários.
Para o presidente do Conselho de Administração do IBI, Mauro Sammarco, a atuação conjunta com a Marinha é importante para o avanço de pautas que afetam diretamente o setor.
“Nós temos uma atuação importante em conjunto com a Marinha do Brasil no avanço de assuntos regulatórios, as convenções internacionais, a segurança da movimentação das embarcações, mas também temos assuntos para a exploração das hidrovias, dos canais de acesso aos portos brasileiros e também tivemos discussões muito importantes sobre a formação dos profissionais aquaviários”, afirmou.
Um dos painéis abordou a relação entre autoridade marítima e competitividade, com discussões sobre transbordo de cargas, eficiência das operações e a presença brasileira na Organização Marítima Internacional (IMO). O encontro também chamou atenção para a necessidade de integrar decisões técnicas, investimentos e planejamento de longo prazo.
A dimensão dessa agenda vai muito além da costa. A chamada Amazônia Azul tem cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados. Segundo a Marinha do Brasil, é nessa área que são produzidos mais de 97% do petróleo e 85% do gás natural do país. Além disso, aproximadamente 95% do comércio exterior brasileiro passa pelo mar.

Outro tema apresentado foi a Política Marítima Nacional, instituída pelo Decreto nº 12.481, de 2025. O documento estabelece diretrizes para uma atuação integrada do poder público em áreas como defesa, desenvolvimento econômico, segurança da navegação, ciência, tecnologia, inovação e proteção dos recursos marítimos.
O diretor-geral de Navegação da Marinha, Almirante de Esquadra Sílvio Luís dos Santos, destacou a variedade de atribuições exercidas pela instituição e a necessidade de ampliar a qualificação profissional.
“Os desafios são enormes. A Marinha é realmente uma instituição multifacetada. Ela trabalha desde a defesa naval até as ações de apoio de Estado e, particularmente, sob a perspectiva da autoridade marítima, nós precisamos cada vez mais qualificar os nossos marítimos”, ressaltou.
Com a ampliação da circulação de embarcações em rios e mares, cresce também a demanda por profissionais preparados. O debate passou pelo fortalecimento dos centros de formação da Marinha e pelos investimentos em simuladores, equipamentos que permitem reproduzir situações de navegação e treinamento em ambiente controlado.
A questão orçamentária também entrou na pauta. A expansão do setor de óleo e gás, o avanço das instalações offshore e o desenvolvimento de novas fontes de energia no mar aumentam as responsabilidades relacionadas à fiscalização, à segurança e à formação profissional.
O diretor-presidente do IBI, Mário Povia, avaliou que o encontro permitiu reunir informações e aproximar diferentes setores envolvidos no planejamento da infraestrutura aquaviária.
“Tivemos várias informações, vimos aqui a alta cúpula da Marinha, uma série de almirantes e comandantes presentes, e nos deixa muito otimistas e felizes em organizar esse evento, trazer os nossos mantenedores, a iniciativa privada, os próprios ministérios envolvidos no tema para essa conversa, que certamente foi muito esclarecedora”, afirmou.
Ao reunir autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo, o IBI busca manter uma agenda permanente de diálogo sobre hidrovias, portos e rotas marítimas. O desafio é transformar diagnósticos técnicos em planejamento, qualificação profissional e investimentos capazes de tornar a infraestrutura aquaviária brasileira mais segura e eficiente.




