O caso do engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, agredido gravemente na madrugada deste sábado (24) durante um evento político em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Santos, no litoral de São Paulo, foi registrado como roubo com resultado de lesão corporal grave.
A ocorrência foi registrada na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos. As informações foram enviadas pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP). Em nota, a pasta afirmou que a Polícia Civil segue investigando o caso.
Até o momento, não há informação oficial sobre a motivação do crime. Amigos e testemunhas suspeitam que o ataque esteja ligado à homofobia e ao posicionamento político da vítima. A polícia, por sua vez, trata o caso como roubo seguido de lesão corporal grave, e as investigações continuam para esclarecer o que aconteceu e identificar os agressores.
Como foi o ataque
Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição de Lula, nas imediações da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas, no bairro Vila Mathias. Por volta das 3h, ele se afastou do grupo para ir ao banheiro e não voltou.
Além disso, segundo testemunhas ouvidas pela VTV News, os amigos estranharam a demora e foram procurá-lo. Ele foi encontrado desacordado na esquina das duas vias, com sinais de espancamento pelo corpo.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e levou o engenheiro à Santa Casa de Santos, onde ele precisou ser intubado e ficou internado em estado grave.

Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição de Lula. Foto: Reprodução/Redes sociais
Estado de saúde: família nega morte encefálica
Amigos de Marcelo, ouvidos no domingo (25) pela equipe de reportagem, disseram ter conversado com familiares, que informaram que o engenheiro está “estável”. Ele foi transferido para um hospital na capital paulista em ambulância com estrutura de UTI móvel, que oferece cuidados intensivos durante todo o trajeto.
A família também informou que Marcelo não teve morte encefálica, como foi divulgado por páginas de notícias, e que ele está em coma induzido. Nesse procedimento, a equipe médica provoca intencionalmente o estado de inconsciência, com sedativos e anestésicos, em ambiente de UTI. Amigos pedem cautela na divulgação de informações falsas.
A Santa Casa de Santos foi procurada, mas não confirmou óbito nem informou o estado de saúde atual do paciente.

Amigos pedem cautela na divulgação de notícias falsas após veículos de comunicação noticiarem que o engenheiro havia tido morte encefálica – Foto: arquivo pessoal
Posicionamento da banda e da universidade
Em nota nas redes sociais, a Banda Esquerdantina lamentou a violência, cobrou rapidez na apuração e a punição dos envolvidos. “Manifestamos nossa solidariedade à vítima e seus familiares, bem como nosso firme repúdio à homofobia”, afirmou o grupo.
Com isso, a associação atlética do campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde Marcelo cursa mestrado em Ecologia Marinha, também se manifestou e expressou “enorme indignação”. Os estudantes cobraram apuração rigorosa e responsabilização dos autores.
Em seguida, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), emitiu uma nota oficial de repúdio, expressando sua solidariedade a Marcelo, seus familiares, amigos e colegas, com o desejo de sua recuperação.
“A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) manifesta seu profundo repúdio à violência sofrida por Marcelo de Oliveira Rocha, estudante da instituição, brutalmente agredido na madrugada deste sábado (24/10), em Santos, no litoral paulista. Marcelo permanece hospitalizado, e seu estado de saúde é motivo de grande preocupação para toda a comunidade universitária. A Unifesp expressa sua solidariedade a Marcelo, seus familiares, amigos e colegas, com o desejo de sua recuperação. A gravidade do ocorrido exige a apuração rigorosa das circunstâncias e motivações da agressão, bem como a identificação e responsabilização dos envolvidos. Independentemente das motivações que venham a ser esclarecidas, a violência não pode ser naturalizada ou tolerada. O respeito à vida, à integridade das pessoas e ao direito à participação na vida pública constitui fundamento indispensável da convivência democrática.”, informou a nota.

Banda Esquerdantina emite nota oficial sobre o caso. Foto: Reprodução/Banda Esquerdantina
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