Mais de 30 países concordaram em liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas para tentar conter a alta do preço do petróleo no mercado internacional. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (11) pelos membros da Agência Internacional de Energia.
A medida envolve os 32 países que integram a organização e busca reduzir os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado global de energia.
Maior liberação de reservas da história
Segundo a Agência Internacional de Energia, esta será a maior liberação coordenada de reservas de petróleo já realizada pelos países membros.
O recorde anterior havia sido registrado em 2022, após a Invasão da Ucrânia pela Rússia, quando cerca de 182,7 milhões de barris foram disponibilizados para estabilizar o mercado.
Atualmente, os países integrantes da organização mantêm mais de 1,2 bilhão de barris de petróleo em estoques emergenciais públicos, além de cerca de 600 milhões de barris mantidos pela indústria, por exigência dos governos.
Guerra no Oriente Médio pressiona mercado
A nova decisão ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, que tem provocado aumento no preço do petróleo e preocupação com o abastecimento global.
Um dos fatores que mais pressionam o mercado é o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo.
Dados da própria agência indicam que, em 2025, cerca de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados passaram pela região.
Países já anunciaram contribuições
Antes mesmo da decisão oficial da Agência Internacional de Energia, alguns países já haviam anunciado que liberariam parte de suas reservas.
Entre eles estão Alemanha, Áustria e Japão.
O governo japonês informou que pretende liberar cerca de 80 milhões de barris de reservas públicas e privadas. Já o Reino Unido anunciou contribuição de 13,5 milhões de barris.
Segundo a ministra da Economia da Alemanha, Katherina Reiche, os maiores volumes devem ser fornecidos pelos Estados Unidos e pelo Japão.
Liberação deve ocorrer gradualmente
Apesar do anúncio, o cronograma de liberação dos barris ainda não foi definido. A expectativa é que o fornecimento aconteça de forma gradual nos próximos dias.
Especialistas ouvidos pela agência Reuters avaliam que o ritmo diário de liberação do petróleo pode ter impacto tão importante quanto o volume total disponibilizado.
Se 100 milhões de barris forem liberados ao longo de um mês, por exemplo, o volume diário chegaria a cerca de 3,3 milhões de barris por dia.
Mesmo assim, esse volume ainda seria inferior à atual interrupção no mercado global, estimada em cerca de 20 milhões de barris por dia, provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, entre Irã e Omã.