O ditador venezuelano Nicolás Maduro deverá permanecer detido no Metropolitan Detention Center, em Nova York, enquanto responde às acusações apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos. A decisão decorre do fato de o processo tramitar no estado de Nova York e da possibilidade legal de manutenção da prisão preventiva de réus considerados ameaça à segurança nacional.
O presídio federal, localizado no bairro do Brooklyn, abriga presos de alta periculosidade e é conhecido pelo regime rígido de custódia. A unidade já foi alvo de denúncias recorrentes envolvendo superlotação, falhas de infraestrutura e episódios de violência. Em julho de 2024, um detento morreu após se ferir em uma briga interna. Em junho de 2020, outro preso faleceu depois de ser atingido por spray de pimenta lançado por agentes penitenciários.
Quem já passou por lá?
- O MDC ganhou projeção internacional por ter custodiado Joaquín “El Chapo” Guzmán antes de sua condenação à prisão perpétua.
- Outros detentos de grande repercussão também passaram pela unidade, como o músico Sean Combs, conhecido como P. Diddy, condenado por transporte de mulheres para fins de prostituição.
- Segundo autoridades americanas, o enquadramento processual permite que Maduro permaneça sob custódia federal em Nova York durante a tramitação do caso. A legislação dos EUA autoriza a prisão preventiva quando há avaliação de risco à ordem pública ou à segurança nacional.

Acusações e indiciamentos
Ao todo, Maduro responderá por quatro crimes:
- Conspiração para narcoterrorismo;
- Conspiração para importação de cocaína;
- Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
- Conspiração para posse desses armamentos contra os Estados Unidos.
As acusações constam em ação assinada pelo procurador Jay Clayton e divulgada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Além do ditador, a mesma ação inclui o indiciamento de outras quatro pessoas ligadas ao núcleo do poder venezuelano:
- A esposa de Maduro, Cilia Flores;
- O filho, Nicolás Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”;
- Três integrantes da administração chavista. Entre eles estão o ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello; o ex-ministro da mesma pasta Ramón Rodríguez Chacín; e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o “Niño Guerrero”, apontado pelo governo americano como principal líder do grupo criminoso Tren de Aragua.
Na noite de sábado (3), a Casa Branca divulgou um vídeo que mostra Maduro algemado. Antes disso, ele passou pela sede da Drug Enforcement Administration, onde permaneceu durante a noite, antes de ser encaminhado ao centro de detenção no Brooklyn.