Um terremoto de magnitude 6.0 atingiu o leste do Afeganistão por volta da meia-noite de domingo (16h30 horário de Brasília), matando ao menos 812 pessoas e ferindo mais de 2.800, segundo autoridades do governo talibã. A tragédia se soma à série de desastres naturais e colapsos institucionais que assolam o país desde a retirada das tropas estrangeiras, em 2021.
A maioria das vítimas foi registrada nas províncias de Kunar e Nangarhar, regiões montanhosas na fronteira com o Paquistão, onde residências de tijolos de barro cederam com o tremor. Três vilarejos foram completamente destruídos em Kunar, com danos significativos em diversas outras localidades, conforme relatos oficiais.
Equipes de resgate enfrentam dificuldades para acessar áreas isoladas e sem comunicação, enquanto helicópteros realizam o transporte de feridos para centros médicos regionais. Segundo o Ministério da Defesa do Afeganistão, 40 voos já foram realizados para evacuar cerca de 420 pessoas, entre mortos e feridos.
? #AfghanistanEarthquake
— GlobeUpdate (@Globupdate) September 1, 2025
— M6.0 quake struck Aug 31 in eastern Afghanistan
— 622+ dead, 1,500+ injured (Kunar & Nangarhar worst hit)
— Rescue ops hampered by remote terrain, limited aid
— Tremors felt in Pakistan (#Islamabad #Lahore #Peshawar) & N. India#earthquake #bbtvi pic.twitter.com/H7syw51qLi
Infraestrutura colapsada no Afeganistão
O Ministério da Saúde afirmou que todos os esforços estão sendo direcionados para o socorro imediato — desde a segurança das áreas atingidas até a distribuição de alimentos e assistência médica. O porta-voz da pasta, Abdul Maten Qanee, descreveu o cenário como “devastador” e reiterou o apelo por ajuda internacional.
O impacto da tragédia é amplificado pela escassez de recursos sob o governo talibã. Desde a retomada do poder pelo grupo, o Afeganistão tem enfrentado um corte drástico na ajuda internacional — de US$ 3,8 bilhões em 2022 para US$ 767 milhões em 2024, segundo estimativas da ONU. Parte dos cortes se deve à insatisfação de doadores com políticas restritivas aos direitos das mulheres, incluindo a atuação de profissionais do setor humanitário.
Reação internacional e apelo por ajuda
Até o momento, nenhum governo estrangeiro se comprometeu com o envio direto de auxílio às operações de resgate. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afegão confirmou que “nenhum país ofereceu suporte imediato”. A China, no entanto, declarou estar disposta a enviar assistência conforme as necessidades locais e seus limites de capacidade.
Em publicação na rede X, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a missão das Nações Unidas no Afeganistão está mobilizada para apoiar as áreas atingidas. Especialistas e agentes humanitários alertam que, passados quase dois anos desde o abalo sísmico que devastou a cidade de Herat, muitas comunidades ainda vivem em estruturas temporárias — reflexo da lentidão na reconstrução e da falta de recursos.