O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (11) uma intervenção federal na segurança de Washington D.C., com o envio de até mil soldados da Guarda Nacional à capital. A medida, que deve vigorar por 30 dias, visa — segundo o presidente — conter a violência urbana, retirar pessoas em situação de rua e retomar o controle da cidade, que ele classificou como “emergência trágica de segurança”.
“Washington D.C. será libertada hoje! O crime, a selvageria, a imundice e a escória vão desaparecer”, escreveu Trump em publicação na rede Truth Social.
A ação, considerada sem precedentes por autoridades locais, foi justificada com base na Homerule Act, uma lei federal que permite o uso da Guarda Nacional em situações de invasão, rebelião ou quando o presidente afirma estar impedido de executar as leis com as forças regulares.
Medida enfrenta resistência local
A prefeita de Washington D.C., Muriel Bowser, do Partido Democrata, rebateu a alegação de emergência. Ela afirmou que os índices de criminalidade na capital caíram desde 2023, contrariando a narrativa do governo federal. Dados do Departamento de Polícia local apontam que o crime violento recuou 26% no último ano, atingindo o menor patamar em três décadas.

O procurador-geral do distrito, Brian Schwalb, classificou a intervenção como “desnecessária e ilegal” e prometeu adotar todas as medidas jurídicas cabíveis contra a decisão.
Washington D.C. não é um estado, mas sim uma região administrativa especial, onde o presidente possui prerrogativas ampliadas. Ainda assim, a decisão de federalizar o controle da segurança pública foi interpretada por veículos da imprensa norte-americana como uma extrapolação do poder executivo.
Foco na população em situação de rua
No domingo (10), Trump pediu publicamente que todas as pessoas em situação de rua deixassem a cidade “imediatamente”. O governo, segundo ele, ofereceria abrigos “longe da capital”. Em coletiva na Casa Branca, o republicano afirmou que pretende tornar Washington “mais segura e bonita do que nunca”.
Segundo relatório do Departamento de Habitação, a capital norte-americana somava, em 2024, mais de 5,6 mil pessoas em situação de rua, número que coloca a cidade na 15ª posição entre os maiores centros urbanos dos EUA neste quesito.
Precedente recente em Los Angeles
Desde que reassumiu a presidência em janeiro, Trump tem recorrido com frequência à Guarda Nacional para reforçar ações de segurança pública. Em Los Angeles, enviou mais de duas mil tropas para conter protestos contra suas políticas migratórias, mesmo sem o aval do governador Gavin Newsom. O caso de Washington D.C., porém, é o primeiro a envolver a intervenção direta na estrutura de segurança de um distrito federal inteiro.