Um homem de 38 anos foi preso em Hortolândia, no interior de São Paulo, suspeito de estuprar, manter em cárcere privado e sequestrar a própria filha de 13 anos. A adolescente conseguiu fugir da residência, procurou a polícia e apresentou um áudio gravado durante um dos episódios de violência, que passou a integrar as provas da investigação. A mãe da vítima também será investigada por possível omissão.
Gravação foi incorporada à investigação
Segundo a Polícia Civil, um dos abusos ocorreu enquanto era transmitida uma partida de Seleção Brasileira pela Copa do Mundo durante o crime, a adolescente conseguiu registrar o áudio da violência e, após escapar da casa, entregou o arquivo às autoridades.
O material foi anexado ao inquérito policial e reforçou os elementos já reunidos pelos investigadores. Conforme informado pela delegada responsável pelo caso, a gravação registra o som da transmissão da partida ao fundo, além das manifestações da vítima durante o abuso.
Suspeito foi localizado após denúncia
Depois do relato da adolescente, equipes da Guarda Municipal seguiram até o imóvel indicado, localizado no bairro Jardim Primavera, onde encontraram o suspeito.
Durante a abordagem, o homem apresentou resistência e também foi autuado por esse crime. Em seguida, foi encaminhado à delegacia e, posteriormente, à Cadeia Pública de Sumaré.
Após audiência de custódia, a justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. O caso continua sendo investigado pela Polícia Cívil.
Exames e medidas de proteção
A adolescente foi levada ao Instituto Médico Legal (IML) de Americana para a realização dos exames periciais previstos nesse tipo de investigação.
O Conselho Tutelar acompanhou a ocorrência e determinou o afastamento da jovem do convívio da mãe, ficando sob os cuidados da avó enquanto prosseguem as investigações.
Polícia investigará possível omissão da mãe
Durante o depoimento, a adolescente informou que já havia contado à mãe sobre os abusos anteriormente, mas relatou que não recebeu o devido acolhimento.
Diante dessas informações, a Polícia Civil instaurará procedimento para apurar eventual omissão da responsável em relação às denúncias feitas pela filha.
Como denunciar casos de violência contra crianças e adolescentes
Casos de violência física, psicológica, ameaças, abuso, violações de direitos ou situações que coloquem crianças e adolescentes em risco podem ser denunciados por diferentes canais de atendimento. As denúncias podem ser feitas de forma anônima. Os principais canais são:
Disque 100 – serviço nacional de denúncias de violações de direitos humanos;Polícia Militar – pelo telefone 190, em casos de emergência;
Polícia Civil – presencialmente em delegacias;
Conselho Tutelar – responsável por acompanhar situações que envolvam menores;
Delegacias especializadas como as Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e unidades de proteção à criança e ao adolescente.
Segundo especialistas, denúncias podem ser fundamentais para interromper ciclos de violência, garantir proteção às vítimas e auxiliar investigações. Mesmo em casos de suspeita ou quando não há confirmação dos fatos, informações podem contribuir para o acionamento da rede de proteção.