O programa de auxílio-moradia destinado a mulheres vítimas de violência em Campinas, no interior de São Paulo, concedeu 111 benefícios entre janeiro e setembro de 2026. O número já supera as 108 concessões registradas durante todo o ano de 2025. No mesmo período, a Prefeitura empenhou R$ 1,23 milhão para manter a iniciativa, valor aproximadamente 56% superior aos R$ 789,9 mil contabilizados no ano passado.
Criado em julho de 2023, o programa oferece R$ 994 mensais para o pagamento de aluguel residencial. A iniciativa busca garantir condições para que mulheres em situação de violência doméstica deixem o ambiente de agressão sem perder o acesso à moradia. Além do suporte financeiro, as beneficiárias podem receber acompanhamento psicossocial e encaminhamento para oportunidades de qualificação profissional.
Dependência financeira dificulta o rompimento da violência
Deixar um relacionamento abusivo envolve desafios que vão além do afastamento do agressor. A falta de renda, a responsabilidade pelo sustento dos filhos e a ausência de um lugar seguro para morar podem dificultar a decisão de romper o ciclo de violência.
Em alguns casos, a vítima precisa reconstruir a própria vida depois de perder móveis, pertences pessoais e até os instrumentos necessários para trabalhar. Quando isso acontece, a dificuldade de obter renda pode aumentar a vulnerabilidade e limitar as alternativas para recomeçar.
Por isso, o auxílio-moradia funciona como uma ferramenta de proteção social. Ao contribuir com o pagamento do aluguel, o programa ajuda a reduzir uma das principais barreiras enfrentadas por mulheres que precisam deixar suas casas para escapar de situações de violência.
A possibilidade de manter uma residência também favorece a organização da rotina dos filhos e a retomada da atividade profissional. Dessa forma, o benefício pode representar um passo importante para a reconstrução da autonomia financeira.
Número de benefícios cresce desde a criação do programa
Os dados municipais mostram que a procura pelo auxílio-moradia vem acompanhando uma trajetória de crescimento desde o início da iniciativa.
Em 2023, entre julho e dezembro, o município concedeu 20 benefícios. No ano seguinte, foram 76. Já em 2025, o total chegou a 108 concessões. Nos primeiros nove meses de 2026, a Prefeitura registrou outras 111.
O investimento público também aumentou ao longo do período. Em 2023, o valor empenhado foi de aproximadamente R$ 29 mil. Em 2024, chegou a R$ 484,7 mil e, no ano seguinte, alcançou R$ 789,9 mil.
Até setembro de 2026, a quantia empenhada somava R$ 1,23 milhão. Os valores incluem tanto a concessão de novos benefícios quanto a prorrogação de auxílios já existentes.
O crescimento dos números indica a ampliação do alcance do programa. Entretanto, os dados, isoladamente, não permitem determinar se o aumento decorre de uma maior incidência de violência, de mais mulheres buscando ajuda ou de melhorias na divulgação e no atendimento da rede de proteção.
Como funciona o auxílio-moradia em Campinas?
O benefício é destinado a mulheres que vivem em Campinas e enfrentam situações de violência. O recurso deve ser utilizado exclusivamente para o pagamento de aluguel residencial.
A concessão ocorre inicialmente por seis meses. Caso a equipe responsável pelo acompanhamento identifique que a beneficiária ainda precisa do suporte, o período pode ser prorrogado por mais seis meses.
Além da ajuda financeira, a Prefeitura oferece acompanhamento pela rede de assistência social. O atendimento pode incluir suporte psicológico e encaminhamento para programas de qualificação profissional e oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
O objetivo é ampliar as condições para que a mulher reconstrua a vida com segurança e independência. Assim, o programa não se limita ao custeio temporário da moradia, mas também busca contribuir para a retomada da autonomia.
Quem pode solicitar o benefício?
Para solicitar o auxílio-moradia, a mulher precisa morar em Campinas e estar em situação de violência. Também é necessário registrar um boletim de ocorrência, que pode ser feito presencialmente em uma delegacia ou pela Delegacia Eletrônica, conforme as condições de atendimento disponíveis.
Depois, a interessada deve procurar um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Mulheres que estejam acolhidas em abrigos podem buscar orientação diretamente pelo serviço responsável pelo acolhimento.
As equipes de assistência social podem orientar a vítima durante o atendimento, auxiliar nos procedimentos necessários e encaminhar a solicitação para análise.
A concessão depende da avaliação dos profissionais responsáveis e do cumprimento dos critérios estabelecidos pelo município. Por isso, procurar a rede de proteção é uma etapa importante para conhecer os documentos exigidos e verificar a possibilidade de receber o benefício.




