Uma cadela entrou em uma loja para “pedir ajuda” após ser atropelada por um carro em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Segundo a estudante Lara Thame, de 22 anos, o motorista fugiu sem prestar socorro. O caso aconteceu na manhã de segunda-feira (31), na Avenida Ministro Marcos Freire, no bairro Quietude.
Imagens de câmeras de monitoramento de uma loja de materiais de construção mostram o momento em que a cadela é atingida e arrastada pelo veículo (veja mais abaixo). Após o atropelamento, a cachorrinha conseguiu entrar no estabelecimento, aparentemente “assustada” e “tremendo de dor”, e ficou deitada próxima ao caixa.
“Ela estava em frente ao caixa, bem na entrada da loja. Eu acho que ela viu que ali tinha bastante gente e é como se ela tivesse ido para o lugar mais movimentado da loja para pedir ajuda”,
contou Lara, que trabalha no estabelecimento.
Preocupada com o estado da cadela, a jovem começou a procurar órgãos públicos, entidades e serviços que pudessem fazer o resgate. Segundo ela, foram feitas diversas tentativas de contato com a Polícia Ambiental, a Guarda Civil Municipal, o serviço de Zoonoses e o Corpo de Bombeiros (Cobom) – sem o retorno esperado.
“Eu liguei para todo mundo, mas cada um direcionava para outro canal. Eu ligava, falavam que não era do ramo deles e me mandavam ligar para outro lugar. A hora foi passando, e a cachorrinha tremia, chorava baixinho”,
relatou.
Sem conseguir atendimento para a cadela, Lara decidiu pedir ajuda à mãe, proprietária da loja, que estava em outra unidade. Ela foi até o estabelecimento de carro e, juntas, colocaram a cachorrinha no veículo e a levaram para uma clínica veterinária particular. O animal recebeu atendimento de emergência.
Cachorrinha recebe tratamento
Segundo Lara, os veterinários identificaram uma fratura na perna da cadela e colocaram uma tala. Maddy, como foi chamada, também recebeu medicação e ficou em observação durante a internação. “Eu comecei a ficar com o meu coração partido porque ela estava sofrendo, estava com dor”, afirmou Lara ao VTV News.
De acordo com a estudante, a veterinária Ana Carolina Garcez explicou que, por ser muito nova, a recuperação tende a ser mais simples. Maddy tem apenas quatro meses e, após receber alta, deveria continuar o tratamento em casa, com medicamentos e acompanhamento veterinário.
“Pelo que a veterinária explicou, o osso dela é novo e é mais fácil de colar. Ela vai se recuperando em casa e fazendo exames de tempos em tempos para ver se a fratura está colando”,
explicou Lara.
Como os custos com internação, consultas e exames aumentaram, Lara criou uma vaquinha para ajudar a pagar o tratamento. A campanha teve adesão nas redes sociais e, segundo ela, o valor arrecadado superou as primeiras despesas da clínica. “Em três horas, já tinha um valor suficiente e eu fiquei superfeliz”, contou.

E a tutora?
Enquanto Maddy recebia atendimento veterinário, Lara também tentou localizar os responsáveis pela cadela. Somente na terça-feira (1º), uma mulher, que não foi identificada, entrou em contato e afirmou ser a tutora.
Ainda segundo Lara, a mulher teria explicado que pensou, inicialmente, que outro familiar havia levado Maddy para passear. Como chega tarde em casa devido ao trabalho, ela só teria percebido o desaparecimento na manhã seguinte, quando a cadela não retornou para a residência.
Após a localização da tutora, os cuidados com o animal passaram a ser de responsabilidade dela. Lara afirmou, porém, que Maddy recebeu alta da clínica e, até o momento do relato, a tutora ainda não havia ido buscá-la. O VTV News não conseguiu localizar a mulher para saber como a cadela está atualmente.
Fuga do motorista
A estudante também chamou atenção para outro problema que, segundo ela, é recorrente: os atropelamentos de animais. Lara afirma que funcionários da loja já presenciaram outros casos nas proximidades e defende a criação de um serviço capaz de prestar atendimento emergencial a animais feridos.
“O fato de o motorista não ter prestado socorro” é, segundo a estudante, uma das situações que mais chamaram a atenção. Por fim. conforme apurado pela reportagem, um boletim de ocorrência (BO) não foi registrado até o momento, e, segundo Lara, a decisão sobre o registro ficará a cargo da tutora de Maddy.





