Imagens cedidas pela Polícia Civil mostram uma cena chocante dentro de um apartamento em São Vicente, na Baixada Santista. O corpo da empresária Barbara Denise Folha de Oliveira, de 34 anos, aparece caído no chão do quarto, cercado por objetos que reforçaram aos investigadores a suspeita de feminicídio (veja abaixo).
Segundo o boletim de ocorrência (BO), a vítima foi encontrada com moedas dentro da boca e espalhadas ao redor do corpo, além de um cigarro de maconha entre os dedos, uma caixa de alianças próxima e garrafas de bebidas no imóvel. O caso aconteceu no bairro Samaritá, na tarde da última terça-feira (20).
O ex-marido da vítima, Manoel Ferro de Melo, de 38 anos, foi preso na madrugada desta quinta-feira (22). De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), ele é apontado como o principal suspeito do crime e foi localizado na capital paulista, após diligências da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente.
Relação conturbada
Em depoimento, a mãe e o irmão de Barbara relataram que Manoel esteve no apartamento da vítima nos dias que antecederam a morte. Segundo os familiares, o relacionamento era marcado por discussões frequentes, e Barbara não demonstrava interesse em retomar a relação. Eles tiveram um filho, hoje com 14 anos.
O delegado Rogério Pezzuol afirmou ao VTV da Gente que o suspeito manteve um relacionamento de cerca de 18 anos com a vítima, encerrado por ela após relatar que era obrigada a cumprir exigências enquanto ele estava preso. Segundo a autoridade policial, o homem tem passagens anteriores pela polícia e havia deixado o sistema prisional recentemente. “Ela precisava levar drogas para ele na prisão”, afirmou o delegado.
Ainda conforme o delegado, o homem já havia sido condenado a mais de 19 anos de prisão por roubo e outros crimes. Apesar do histórico criminal, não havia registros anteriores de violência doméstica nem a existência de medida protetiva em favor da vítima. No momento do crime, ele estava em liberdade provisória.

Prisão
Manoel foi preso na Zona Leste de São Paulo, na casa de familiares, após a Justiça expedir um mandado de prisão. Conforme apurado pelo repórter Pietro Falbuon, da VTV SBT, o suspeito entrou em contato com a polícia informando que pretendia se entregar por receio de ser submetido ao “tribunal do crime”.
“Esse crime horrendo aconteceu porque a vítima não queria mais o convívio com esse elemento. Manoel, indignado, queria ficar na residência, e que a vítima saísse. Ela se negou, eles discutiram, e ela acabou sendo asfixiada”, explicou o delegado.
A vítima ainda teve moedas introduzidas na boca como forma de vingança porque, segundo o depoimento do suspeito, que durou cerca de 40 minutos, ‘ela não queria homem, queria dinheiro’. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que, após ser achado, Manoel foi conduzido à delegacia especializada.
Cena ‘horrenda’
O corpo de Barbara foi encontrado por testemunhas, que acionaram a Polícia Militar (PM), na terça-feira (20), dentro de uma residência na Rua Luiz Ferreira Saturnino. Segundo a corporação, ela apresentava lesões compatíveis com homicídio, embora a causa da morte ainda não tenha sido oficialmente confirmada.
No quarto, os peritos encontraram vestígios de sangue no rosto da vítima, além de marcas na cama, no lençol e no travesseiro. Diante do cenário, a Polícia Técnico-Científica foi acionada imediatamente, e exames foram requisitados ao Instituto Médico Legal (IML) e ao Instituto de Criminalística (IC), segundo a SSP-SP.


O velório de Barbara acontece às 14h desta quinta, na Funerária Osan, em Praia Grande.