O julgamento do sargento da Polícia Militar (PM) Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho, acusado de matar a esposa, Amanda Fernandes Carvalho, e tentar assassinar a filha do casal, começou na quarta-feira (14), em Santos, no litoral de São Paulo. A sessão terminou por volta das 21h50 e foi retomada nesta quinta (15).
O réu responde por feminicídio e tentativa de homicídio qualificado. De acordo com a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Amanda foi morta com 51 golpes de punhal, além de ter sido atingida por disparos de arma de fogo. A filha do casal, que tinha 10 anos na época do crime, também foi baleada, mas sobreviveu.
A previsão é que o julgamento seja concluído nesta noite, embora a sessão possa se estender até a madrugada de sexta-feira (16). A expectativa inicial era de que 14 testemunhas fossem ouvidas no primeiro dia, entre familiares, funcionários da clínica onde ocorreu o crime e policiais militares que atenderam à ocorrência.
Relembre o crime
O caso ocorreu em 7 de maio de 2025, em uma clínica localizada na região do Canal 1, em Santos. Segundo a acusação, Samir foi até o estabelecimento e ameaçou a esposa de morte. Policiais militares foram acionados, mas o sargento teria escondido uma pistola e um punhal, e enganado os agentes que atenderam à ocorrência.
Em seguida, ele entrou na sala onde Amanda e a filha estavam e efetuou disparos contra as duas. A mulher foi atingida no braço, no peito e nas costas e também sofreu 51 golpes de punhal. Ela morreu no local, enquanto a menina – cuja identidade será preservada – foi baleada nas pernas e no braço e precisou passar por cirurgia.
O MP-SP acusa Samir de feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar. Entre as qualificadoras estão o meio cruel, a dissimulação, o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, o perigo comum e o emprego de arma de fogo de uso restrito. Em relação à filha, a acusação é de tentativa de homicídio qualificado.
O caso também levou à apuração da conduta dos policiais militares que atenderam à ocorrência. A atuação dos agentes foi investigada porque eles abriram a porta do consultório onde as vítimas haviam se escondido na tentativa de sobreviver. Conforme noticiado anteriormente, o crime passou por reconstituição em 22 de abril.
O que dizem as defesas
Em nota, as advogadas Juliana Terras e Gabrielli Alves informaram que a família de Amanda não concederá entrevistas nem prestará declarações à imprensa antes da sessão, para preservar este “momento extremamente delicado, bem como respeitar a realização do julgamento e a atuação de todos os envolvidos”.
“É importante lembrar que, para os familiares, especialmente para os filhos de Amanda, este julgamento representa muito mais do que um ato processual. Significa reviver uma perda irreparável, recordar acontecimentos profundamente traumáticos e enfrentar novamente a dor de uma ausência que será sentida por toda a vida. Neste momento, a família deseja apenas acompanhar o julgamento com serenidade, dignidade e respeito, confiando que a Justiça cumprirá seu papel”,
escreveram.
A defesa acrescentou que eventuais manifestações poderão ser concedidas após o encerramento do julgamento, “em momento oportuno, mediante organização prévia com a representação jurídica da família”. As advogadas pediram, portanto, respeito à decisão por parte dos profissionais da imprensa e da sociedade.
Já a defesa do réu não foi localizada pelo VTV News até o momento, mas o espaço segue aberto.

Quem era Amanda?
Amanda era diretora executiva em uma empresa de comércio exterior há três anos e tinha sólida formação acadêmica. Graduada em Logística com ênfase em transportes (2008), também concluiu um curso tecnológico de Análise e Desenvolvimento de Sistemas em 2012, como divulgado em um perfil profissional do LinkedIn.
De acordo com um amigo da vítima, o casal estava junto há cerca de 15 anos, mas vinha ameaçando a vítima há seis meses em partes discretas do corpo – o que ela ‘não denunciava por medo’. Após o crime, um dos filhos desabafou: “Mãe, eterna rainha. Você sempre será meu exemplo de vida. Eu espero te encontrar logo”.




