A audiência de instrução, debates e julgamento do bancário Thiago Arruda Campos Rosa, acusado de atropelar e matar o cantor de pagode Adalto Mello em São Vicente, na Baixada Santista, foi remarcada pela segunda vez. Inicialmente marcada para abril de 2026 e posteriormente antecipada para 12 de agosto, a nova data definida pelo Judiciário é a próxima terça-feira (19), às 14h.
Segundo a defesa, a alteração ocorreu porque o advogado de Thiago já tinha cinco audiências designadas para o mesmo dia em que a pauta foi antecipada pelo juiz. Procurado, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) confirmou a mudança ao VTV News na manhã desta terça-feira (12).
Thiago Arruda responde por homicídio doloso com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. O caso ocorreu em 29 de dezembro do ano passado, na Avenida Tupiniquins, no bairro Japuí. Adalto pilotava uma motocicleta quando foi atingido pelo carro dirigido pelo bancário, que, segundo o teste do bafômetro, apresentava teor alcoólico no organismo.
O que esperar?
Na próxima audiência, estão previstos os depoimentos de testemunhas e o interrogatório do réu. Após essa fase, o juiz poderá abrir prazo para as alegações finais e decidir se o caso seguirá ou não para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Em nota, o advogado de defesa, Mario Badures, reforçou o posicionamento de que não houve dolo eventual no caso. “A defesa de Thiago Arruda reforça sua confiança de que não se trata de homicídio doloso e sim um crime culposo, como desde sempre pontuou e ficará provado após o final da instrução criminal”, declarou.
Cantor Adalto Mello morre atropelado; relembre o caso
Após o crime, Thiago ficou detido na Penitenciária II de Tremembé (SP) até 16 de maio. Na data, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus para a soltura do réu, determinando a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, como a proibição de deixar a cidade sem autorização judicial.
Na época, Badures sustentou que o cliente perdeu o controle do veículo e não assumiu risco deliberado. Ainda assim, o Instituto de Criminalística (IC) concluiu que o bancário trafegava em velocidade incompatível com a via. Ele responde por homicídio doloso com dolo eventual, quando se assume risco de matar, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
A primeira audiência de instrução ocorreu em 17 de junho deste ano, de forma virtual, com depoimentos de dois policiais militares. Eles relataram que Thiago apresentava sinais de embriaguez, como fala arrastada, olhos avermelhados e odor de álcool. Também citaram dificuldade de locomoção do acusado no local do acidente.

Entretanto, a audiência precisou ser interrompida devido ao grande número de testemunhas. O juiz Alexandre Torres de Aguiar, então, havia marcado a retomada para 2026 – decisão contestada tanto pela acusação quanto pela defesa. Posteriormente, ele decidiu antecipar o ato para 12 de agosto, data que foi novamente alterada, agora para o dia 19.
Quem era o cantor de pagode Adalto Mello?
Cantor e compositor de pagode, Adalto se apaixonou pela música ainda na infância. De acordo com a família, ele aprendeu a tocar cavaco observando seu pai e, desde jovem, se dedicou à carreira musical, se apresentando em eventos e comércios. Também se formou em Educação Física e trabalhou em várias empresas.
Apesar disso, nunca abandonou o seu amor pela música, sempre conciliando o trabalho com ensaios e apresentações à noite. Para ele, a música era um sonho a ser vivido e não apenas uma fonte de dinheiro. A mãe do artista, Carla, destaca que o filho era apegado à família e sempre procurava transmitir amor e bondade para todos ao seu redor.
“Desde quando me entendo por gente, desde criança, eu já toco pagode e samba. Meu pai e minha mãe sempre curtiram música. Meu pai era de escola de Samba de Santos. Meu primo tocava em grupo de pagode”, disse o cantor em entrevista à VTV, emissora afiliada do SBT.