A Justiça Federal de Santos, no litoral de São Paulo, mandou soltar o iraniano Nima Kenareifard, acusado de participar de um esquema para enviar cerca de 181 kg de cocaína para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A droga estava escondida em uma carga de café. O também iraniano Saeid Sabouri continuará detido.
Conforme apurado pelo VTV News, Nima e Saeid foram presos em maio deste ano, em um galpão no bairro Vila Mathias, em Santos. Segundo a investigação da Polícia Federal (PF), o local era usado para esconder a droga antes do envio ao exterior. Ao todo, foram encontrados 181 kg de cocaína, divididos em 178 tabletes.
A droga estava escondida em uma carga de café que seria exportada para o Oriente Médio. Os dois foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) e se tornaram réus por tráfico internacional de drogas.
O juiz Carlos Felipe da Silva Ribeiro recebeu a denúncia, mas decidiu que Nima poderia responder ao processo em liberdade. Segundo ele, havia indícios suficientes para que o iraniano continuasse sendo processado, mas não elementos concretos suficientes para manter a prisão preventiva.
Soltura
Segundo a decisão da 6ª Vara Federal de Santos, Nima estava no local onde a cocaína foi encontrada e teria demonstrado nervosismo aos policiais. Ele também afirmou que apenas trabalhava com o desembaraço de mercadorias, mas, segundo a Justiça, não apresentou documentos que comprovassem essa atividade.
A defesa afirmou, ainda, que Nima trabalhava como intérprete de Saeid e que não sabia da existência da droga. Os advogados também disseram que ele mora no Brasil há mais de seis anos, tem residência fixa e é casado com uma brasileira. Ele foi solto, mas terá que cumprir algumas regras determinadas pela Justiça:
- informar à Justiça o endereço onde mora e comunicar qualquer mudança;
- comparecer aos atos do processo quando for chamado;
- se apresentar mensalmente à Justiça para informar suas atividades;
- não deixar o Brasil;
- entregar o passaporte à Justiça;
- não ficar mais de cinco dias fora da cidade onde mora sem autorização judicial.

Prisão mantida
Saeid Sabouri, por sua vez, continuará preso preventivamente. Para o juiz, a quantidade de cocaína apreendida, a forma como a droga foi escondida e os indícios de participação atribuídos a ele justificam a decisão.
A defesa de Saeid questionou, entre outros pontos, problemas com o intérprete usado durante a investigação, a forma como a droga foi armazenada e pesada e a falta de alguns laudos. Também afirmou que ele não sabia da existência da cocaína, mas o juiz não acolheu esses argumentos neste momento. A investigação continua.
O VTV News não localizou a defesa dos dois. O espaço segue aberto e o texto poderá ser atualizado.




