O cantor de funk João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original, acabou preso na manhã desta quinta-feira (25), em Santa Isabel, na Grande São Paulo. A Polícia Civil investiga o artista por suposta participação em uma organização criminosa especializada em golpes virtuais. Além disso, ele era considerado foragido desde fevereiro deste ano.
A prisão ocorreu durante a Operação Fim da Fábula, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo. Segundo os investigadores, a quadrilha teria movimentado cerca de R$ 100 milhões em cinco anos por meio de fraudes aplicadas em diversos estados do país.
Esquema envolvia diferentes modalidades de fraude
De acordo com a Polícia Civil, o grupo atuava em várias modalidades de estelionato eletrônico. Entre elas estão o golpe do INSS, o golpe do falso advogado e o chamado golpe da mão fantasma. Além disso, os criminosos também aplicavam fraudes com cartões clonados, falsas centrais telefônicas e clonagem de chaves Pix.
Os investigadores ainda apontam que integrantes da organização utilizavam plataformas de apostas on-line e fintechs para movimentar e ocultar os recursos obtidos ilegalmente.
Conforme a apuração policial, MC Negão Original teria ligação com o esquema. Além disso, ele é suspeito de divulgar uma plataforma de apostas manipulada, que induzia usuários a fazer depósitos sem chances reais de obter retorno financeiro.
Operação ocorre em três unidades da federação
A Operação Fim da Fábula cumpre 53 mandados de prisão temporária e 120 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) coordena a ação com apoio do Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP).
Ao todo, cerca de 400 policiais civis e promotores de Justiça participam da operação.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de 86 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados. Os valores bloqueados podem chegar a R$ 100 milhões, além da indisponibilidade de bens móveis e imóveis.

Imóveis e veículos também são investigados
Segundo o Ministério Público, os investigadores identificaram pelo menos 36 imóveis ligados ao grupo criminoso. Muitos desses bens estavam registrados em nome de laranjas ou empresas de fachada. Além disso, a apuração localizou centenas de veículos e embarcações supostamente adquiridos com dinheiro das fraudes.
Em um imóvel ligado ao cantor, em Itaquaquecetuba, a polícia apreendeu notebooks, celulares e documentos. Agora, os investigadores vão analisar o material para identificar possíveis conexões com o esquema criminoso.
Nas redes sociais, MC Negão Original soma mais de 4 milhões de seguidores e reúne mais de 11 milhões de ouvintes mensais nas plataformas de streaming. Até a última atualização do caso, a defesa do artista não havia se manifestado.
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