A decisão que autorizou a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21), aponta que investigados por integrar um núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) mantinham contato com coronéis da Polícia Militar de São Paulo. No entanto, os oficiais citados no documento não são alvos da operação e também não respondem formalmente ao processo.
Investigação revela contatos com coronéis da PM
O juiz Paulo Fernando Deroma De Mello, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo, autorizou a Operação Janus.
Segundo a decisão, as operações Bazaar e Recidere identificaram indícios de que Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza e Amjad Ahmad exerciam influência sobre policiais civis e militares. Além disso, o documento registra a proximidade dos investigados com o coronel Pereira Martins. Também cita contatos com o coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante da Rota e ex-comandante-geral da PM paulista, e com um coronel identificado apenas como “Patrício”.
Amizade permaneceu durante as investigações
Ainda conforme o magistrado, Cléber e Robson mantiveram amizade com o coronel Pereira Martins mesmo depois de se tornarem alvos de outras operações policiais. Além disso, a decisão afirma que o oficial demonstrou disposição para ajudar os investigados e intermediar contatos com autoridades.
Apesar dessas referências, a Justiça não incluiu nenhum dos coronéis como alvo da Operação Janus. Eles também não foram denunciados ou acusados formalmente no processo.
Planilha menciona pagamento em dinheiro
Durante as investigações, a polícia apreendeu uma planilha que registra um pagamento de R$ 1 mil em espécie destinado ao coronel identificado como “Patrício”. Conforme a decisão, os investigados chamavam esse tipo de repasse de “ticketagem”.
Já o coronel José Augusto Coutinho comandou a Polícia Militar de São Paulo entre maio de 2025 e abril de 2026. Posteriormente, ele deixou o cargo após ser citado em outra investigação sobre a escolta de uma empresa de ônibus ligada ao PCC.
Operação Janus mira operadores financeiros do PCC
A Operação Janus busca desarticular um grupo suspeito de administrar recursos financeiros da facção criminosa. Além disso, as investigações indicam que os envolvidos participavam de reuniões para solucionar disputas patrimoniais internas, conhecidas como “tribunais do crime”.
Ao todo, a Justiça expediu 18 mandados de prisão preventiva contra suspeitos apontados como operadores financeiros do PCC. Segundo a investigação, eles movimentavam recursos, convertiam dinheiro em espécie em transferências bancárias, ocultavam patrimônio e abasteciam o caixa da organização criminosa.
Entre os alvos estão Cléber Azevedo dos Santos, Robson Martins de Souza, Paulo Rogério Silva, Amjad Ahmad e outros integrantes da estrutura investigada.
Justiça bloqueia bens e valores dos investigados
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em contas bancárias e investimentos de cada investigado. Também decretou a indisponibilidade de imóveis, veículos e outros bens para evitar a ocultação ou a dissipação do patrimônio que pode ter ligação com as atividades investigadas.