A Polícia Civil de Campinas investiga as circunstâncias da cirurgia realizada por engano em uma idosa de 76 anos no Hospital Beneficência Portuguesa e apura se o procedimento teve relação com a morte da paciente. O caso foi registrado como homicídio culposo após a família prestar depoimento, enquanto o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) também abriram procedimentos para analisar a atuação dos profissionais envolvidos.
Família registrou boletim de ocorrência
O delegado-chefe do Deinter-2, Oswaldo Diez Jr., confirmou nesta sexta-feira (24) a abertura do inquérito policial. A investigação começou após a neta de Jandira Marina Dias Braga registrar um boletim de ocorrência e prestar depoimento no 1º Distrito Policial de Campinas.
Agora, a Polícia Civil pretende ouvir todos os profissionais que participaram do atendimento da paciente, desde a internação até o procedimento cirúrgico. O objetivo é esclarecer como ocorreu a troca de pacientes e identificar a responsabilidade de cada envolvido.
Paciente passou por cirurgia destinada a outra pessoa
Jandira estava internada para tratar uma obstrução intestinal provocada pela recidiva de um câncer de cólon. No entanto, em 8 de julho, ela foi submetida, por engano, a uma gastrostomia endoscópica destinada a outra paciente.
O procedimento consiste na colocação de uma sonda diretamente no estômago para alimentação ou drenagem de líquidos.
Segundo documentos do prontuário, a equipe só identificou a troca ao término da cirurgia, durante a passagem de plantão, quando verificou que a paciente que deveria passar pelo procedimento permanecia no quarto.
Três dias depois da cirurgia, Jandira morreu.
Conselhos profissionais também apuram o caso
Além da investigação policial, o Cremesp instaurou uma sindicância para apurar a conduta dos médicos envolvidos.
Já o Coren-SP informou que iniciou os procedimentos previstos na Resolução Cofen nº 706/2022, embora tenha esclarecido que ainda não recebeu uma denúncia formal encaminhada pelo hospital.
Até o momento, não há prazo para a conclusão das investigações conduzidas pelos conselhos.
Hospital afirma que procedimento não alterou prognóstico
Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa informou que identificou o erro, instaurou uma sindicância interna, comunicou os familiares e adotou medidas administrativas contra os profissionais envolvidos, incluindo desligamentos.
A instituição também afirmou que uma avaliação médica e técnica concluiu que a cirurgia realizada por engano “não alterou o prognóstico da paciente”. Além disso, informou que reforçou os protocolos de segurança assistencial e encaminhou o caso aos conselhos profissionais competentes.