Marcelo Aguiar (PL), de 53 anos, é deputado estadual em São Paulo, cantor de música gospel e ex-deputado federal. Ele foi detido na madrugada desta segunda-feira (19) após um disparo de arma de fogo durante uma confusão em uma casa noturna no bairro do Itaim Bibi, na Zona Sul da capital paulista. A arma foi apreendida para perícia, e o parlamentar deixou a delegacia após prestar esclarecimentos.
Ligado à chamada bancada evangélica da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Aguiar construiu uma trajetória que combina a carreira musical com a atuação política. Antes de assumir o mandato estadual, ele foi vereador da capital paulista e deputado federal. Nas eleições de 2026, tentou conquistar um novo mandato na Assembleia, mas não obteve votos suficientes para se eleger.
Carreira começou na música sertaneja e seguiu para o gospel
Marcelo Theodoro de Aguiar, nome de batismo do parlamentar, começou a carreira artística ainda na infância. Inicialmente ligado à música sertaneja, ele direcionou o trabalho para o segmento gospel após se converter ao cristianismo, em 2000.
O cantor ganhou projeção no meio religioso ao integrar o Renascer Praise, grupo musical associado à Igreja Renascer em Cristo, liderada por Sonia Hernandes e Estevam Hernandes. Entre as canções conhecidas de seu repertório estão “Me Dá Poder de Filho” e “Eis-me Aqui”.
Em seu perfil institucional na Alesp, Aguiar se apresenta como economista, gestor público, marido e pai de dois filhos. A biografia também destaca sua atuação artística e a defesa de valores cristãos, da família e da proteção de crianças e adolescentes.
Trajetória política inclui Câmara Municipal, Congresso e Alesp
A entrada de Marcelo Aguiar na política ocorreu em 2008, quando ele foi eleito vereador de São Paulo pelo então Partido Social Cristão (PSC), com 41.506 votos.
Dois anos depois, em 2010, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados, em Brasília, com 98.842 votos. Posteriormente, não conseguiu retornar ao Congresso nas eleições seguintes.
Em 2022, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa paulista e recebeu 42.898 votos, resultado que o deixou na suplência. Ele assumiu o mandato estadual em janeiro de 2025, após Helinho Zanatta (PSD) deixar a cadeira para ocupar a Prefeitura de Piracicaba, no interior de São Paulo.
Na Alesp, Aguiar passou a integrar a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), responsável por analisar aspectos constitucionais e legais de propostas em tramitação.
O parlamentar se filiou ao Partido Liberal em março de 2026. Na eleição estadual daquele ano, tentou permanecer no cargo, mas recebeu 37.585 votos e ficou novamente como suplente para a próxima legislatura.

Projeto apresentado quando era deputado federal
Durante o período em que atuou na Câmara dos Deputados, Marcelo Aguiar apresentou o Projeto de Lei 6.449/2016. A proposta previa medidas para restringir o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos pornográficos gratuitos na internet, por meio de mecanismos de bloqueio pelas operadoras.
Na época, o parlamentar era filiado ao Democratas (DEM). A iniciativa fazia parte de sua atuação política voltada à proteção de crianças e adolescentes.
O que aconteceu na casa noturna em São Paulo
A ocorrência aconteceu na madrugada de 19 de outubro, durante uma festa na casa noturna Santo Cupido, no Itaim Bibi. Segundo relatos divulgados pela imprensa, houve uma discussão entre frequentadores, e o disparo ocorreu durante o tumulto, quando o parlamentar caiu com a arma que portava. As circunstâncias exatas do episódio serão investigadas.
O apresentador Fred Bruno, da TV Globo, teria sido atingido de raspão no pé por um estilhaço do disparo. A arma, uma pistola Glock calibre .380, foi apreendida para perícia. Aguiar possui porte de arma de fogo, segundo informações divulgadas pelas autoridades.
A assessoria do deputado afirmou que ele estava sob efeito de medicamentos fortes, que teriam provocado uma reação adversa, e que acabou se envolvendo em uma discussão. A equipe também declarou que o parlamentar prestou esclarecimentos na delegacia e foi liberado. Aguiar afirmou, por meio de sua assessoria, que confia na Justiça e que os fatos serão esclarecidos.
Em nota, a administração do Santo Cupido confirmou que houve um incidente no estabelecimento e informou que acionou as autoridades. O local declarou ainda que colabora com as apurações e que não faria outros comentários naquele momento.
Veículo com placa da Alesp também entrou na apuração
Além da arma, um veículo utilizado pelo parlamentar chamou a atenção das autoridades por apresentar uma placa oficial da Assembleia Legislativa. Informações divulgadas pela imprensa indicaram que a identificação não constava no registro de veículos oficiais vinculados ao deputado. O caso também deverá esclarecer as circunstâncias do uso da placa.




