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Sinal de socorro para violência doméstica: veja como fazer o gesto com a mão

Caso em Americana, no interior de SP, reforça a importância de reconhecer a comunicação silenciosa; saiba como funciona
Mulher com a mão levantada em sinal de proteção e pedido de ajuda, cobrindo o rosto, reforçando o Sinal de socorro para violência doméstica e a comunicação silenciosa em Americana, interior de SP.

Uma mulher de 53 anos utilizou um gesto com a mão para pedir ajuda durante um atendimento na UPA São José, em Americana, no interior de São Paulo. Profissionais da unidade reconheceram o sinal e acionaram a Guarda Municipal. O companheiro dela, de 62 anos, acabou preso em flagrante por violência doméstica. O caso reforça a importância de conhecer uma forma silenciosa de comunicação que pode ajudar pessoas em situações de risco.

Conhecido como Signal for Help, o sinal de socorro permite indicar a necessidade de ajuda sem precisar falar. A Canadian Women’s Foundation criou o movimento no Canadá, em 2020, e a iniciativa ganhou divulgação internacional. Mas como fazer o gesto? E o que uma pessoa deve fazer ao identificá-lo? Confira as orientações.

Caso em Americana chama atenção para sinal de socorro

O episódio aconteceu na última semana, em Americana. Durante o atendimento na UPA São José, uma mulher de 53 anos fez o sinal de socorro com a mão. Profissionais da unidade perceberam o movimento e acionaram a Guarda Municipal.

Segundo informações divulgadas pela corporação, a mulher relatou sofrer violência psicológica havia vários anos. Ela também contou que o companheiro a xingou durante o trajeto até a unidade de saúde.

A Guarda Municipal prendeu o homem, de 62 anos, em flagrante por violência doméstica. A ocorrência foi encaminhada à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

O caso mostra como o reconhecimento de um gesto pode ajudar a identificar uma situação de violência. Por isso, entender o significado do sinal pode ser importante para familiares, amigos, profissionais e outras pessoas que estejam próximas de alguém em situação de risco.

Relembre o caso:

Como fazer o sinal de socorro com a mão?

O gesto utiliza apenas uma das mãos e segue uma sequência de três movimentos. Para realizá-lo, a pessoa abre a palma, dobra o polegar para dentro e fecha os demais dedos sobre ele.

1. Levante a mão aberta

Mantenha a palma da mão voltada para a pessoa que poderá identificar o pedido de ajuda. Deixe os quatro dedos estendidos e o polegar aberto.

2. Dobre o polegar para dentro

Leve o polegar para dentro da palma da mão. Enquanto isso, mantenha os outros quatro dedos abertos.

3. Feche os dedos sobre o polegar

Dobre os quatro dedos sobre o polegar, formando um punho. Esse movimento completa o sinal de socorro.

A pessoa pode fazer a sequência de maneira discreta, desde que consiga realizá-la com segurança. Não é necessário manter a mão parada em cada etapa.

Sinal de socorro para violência doméstica: sequência com a mão mostrando como fazer o gesto — levante a mão aberta, dobre o polegar e feche os dedos sobre o polegar
Imagem: gerada por inteligência artificial.

O que significa o sinal de socorro?

A Canadian Women’s Foundation criou o Signal for Help como uma ferramenta de comunicação silenciosa para pessoas que enfrentam violência de gênero.

A iniciativa permite que alguém indique a necessidade de apoio sem precisar falar ou enviar uma mensagem explícita. O gesto pode ser utilizado durante uma videochamada ou presencialmente, conforme as condições de segurança.

No entanto, o sinal não representa automaticamente um pedido para chamar a polícia. A pessoa pode estar procurando uma conversa, informações ou ajuda para encontrar serviços de atendimento.

Por isso, quem identifica o movimento deve considerar o contexto e procurar entender o que a pessoa precisa, sempre que houver condições seguras para isso.

O que fazer ao identificar o gesto em outra pessoa?

Ao perceber que alguém está utilizando o sinal, é importante agir com cuidado. Uma reação precipitada pode aumentar o risco para a vítima, principalmente quando o possível agressor está por perto.

Se houver condições seguras para estabelecer contato, algumas atitudes podem ajudar:

  • Entre em contato por mensagem ou ligação, caso isso não coloque a pessoa em risco.
  • Pergunte de maneira simples se ela precisa de ajuda.
  • Dê espaço para que ela explique o que está acontecendo.
  • Evite confrontar o possível agressor.
  • Não divulgue a situação publicamente sem avaliar as consequências.
  • Em uma emergência, acione os serviços de emergência.

Além disso, a Canadian Women’s Foundation orienta que não existe uma única maneira de responder ao sinal. Cada situação exige uma avaliação individual, considerando a segurança de quem pede ajuda e de quem oferece apoio.

Por que é importante conhecer esse gesto?

Conhecer o sinal pode ajudar familiares, amigos, colegas de trabalho e outras pessoas a reconhecerem um pedido silencioso de apoio.

A Canadian Women’s Foundation criou a iniciativa em 2020, durante a pandemia de Covid-19, quando muitas pessoas enfrentavam isolamento e dificuldades para buscar ajuda. Desde então, o movimento passou a ser divulgado em diferentes países.

Assim, reconhecer o gesto pode ampliar as possibilidades de comunicação de quem enfrenta violência doméstica, especialmente quando falar ou enviar uma mensagem explícita não é seguro.

Onde buscar ajuda em casos de violência doméstica

Mulheres em situação de violência podem procurar orientação pelo Ligue 180, canal de atendimento e denúncia de violência contra a mulher. Em situações de emergência, com risco imediato à vida ou à integridade física, acione a Polícia Militar pelo 190.

Também é possível buscar atendimento em uma Delegacia da Mulher (DDM), delegacias da Polícia Civil ou serviços especializados. O sinal de socorro é uma ferramenta de comunicação e não substitui o atendimento de emergência ou o acompanhamento especializado.

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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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