A tensão política entre os Estados Unidos e Brasil pode estar tendo uma escalada histórica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “arbitrária” e “sem fundamento” a decisão do governo dos Estados Unidos de impor sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades brasileiras envolvidas no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida, que incluiu a suspensão de vistos de entrada no país, foi anunciada na sexta-feira (18) e atingiu, além do ministro Alexandre de Moraes, membros de sua família e outros integrantes da cúpula do Judiciário.
Para Lula, trata-se de uma violação da soberania nacional e de um gesto que rompe os princípios fundamentais de respeito entre Estados. “Nenhuma forma de intimidação ou ameaça, de quem quer que seja, comprometerá a missão mais importante dos poderes e instituições do Brasil, que é defender e sustentar permanentemente o Estado democrático de direito”, afirmou em nota oficial divulgada neste sábado.
A ofensiva diplomática norte-americana ocorre em meio ao julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, no qual o ex-presidente é acusado de articular um golpe de Estado para reverter o resultado das eleições de 2022. O governo dos EUA, sob a liderança de Donald Trump, impôs as sanções como resposta à atuação do STF, que expediu mandados de busca e restrições contra o ex-mandatário brasileiro, aliado político do republicano.
O STF não se pronunciou até a conclusão desta matéria.
Quais ministros foram alvos do governo dos EUA?
Embora não tenha sido divulgado oficialmente a lista dos “aliados de Moraes no judiciário”, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT) publicou nas redes sociais os nomes dos possíveis alvos do governo americano.
Ministro Luís Roberto Barroso (atual Presidente do STF)

Ministro Dias Toffoli (STF)

Ministro Cristiano Zanin (STF)

Flávio Dino (STF)

Ministra Cármen Lúcia (STF)

Ministro Edson Fachin (STF)

Alexandre de Moraes (STF)


O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, também foi alvo da revogação de visto, de acordo com o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Em publicação na rede social X, Messias repudiou o que chamou de “ato sórdido” e reafirmou que o Judiciário brasileiro continuará cumprindo suas funções com independência. “Nenhuma manobra indevida intimidará os magistrados e membros do Ministério Público que atuam sob a égide da Constituição”, declarou.
O presidente Donald Trump vem criticando reiteradamente o julgamento de Bolsonaro, a quem classifica como vítima de uma “caça às bruxas”. Em carta enviada na última semana, Trump anunciou ainda a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto — abrindo o comunicado com críticas ao processo judicial contra seu aliado. Bolsonaro responde no Supremo pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio público.