Horas depois de ser alvo da Lei Global Magnitsky, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), compareceu à Neo Química Arena para assistir ao clássico entre Corinthians e Palmeiras pelas oitavas de final da Copa do Brasil. O ministro, torcedor declarado do clube alvinegro, estava acompanhado da esposa. No local, sorriu, acenou ao público e fez um gesto com o dedo médio, após ser interpelado. A cena foi registrada por torcedores e repercutiu nas redes sociais.
Durante a transmissão da partida na plataforma Amazon Prime, o narrador Galvão Bueno comentou a presença do ministro. “Aí você vai vendo a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que está envolvido em toda essa conversa, essa disputa com o governo dos Estados Unidos. Mas isso é política. Ele está ali como torcedor. Tem todo o direito de estar ali como torcedor”, declarou.
Nas redes sociais, nomes da oposição como Nikolas Ferreira rechaçou o ministro, questionando “isso é postura de ministro, sancionado?”.

Sanção da Lei Magnitsky marca ação sem precedentes
Mais cedo, o governo dos Estados Unidos, por meio da Secretaria do Tesouro, impôs sanções ao ministro do STF com base na Lei Global Magnitsky — norma que autoriza restrições financeiras a estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos. A medida resultou no bloqueio de eventuais ativos de Moraes em território norte-americano, suspensão de seu acesso ao sistema financeiro dos EUA e impedimento de entrada no país.
Além de Moraes, outros sete ministros da Suprema Corte e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, já haviam tido seus vistos revogados por determinação da administração de Donald Trump na semana anterior. Procurado, o Supremo Tribunal Federal não se manifestou até o momento.
A aplicação da Lei Global Magnitsky contra uma autoridade de país democrático é inédita. Desde sua promulgação, a norma tem sido utilizada contra figuras de regimes autoritários, integrantes de facções criminosas e membros de organizações terroristas acusados de violações sistemáticas dos direitos humanos e crimes financeiros internacionais.