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Com baixa adesão, manifestantes vão à Paulista em ato pró-Bolsonaro e contra Moraes

Os manifestantes pediram anistia ao ex-presidente Bolsonaro, mas também aos condenados pelos atentados de 8 de janeiro de 2023.
Atos pró-Bolsonaro pedem anistia e criticam Moraes (Foto: redes sociais)

Cerca de duas quadras da Avenida Paulista, entre a sede da Fiesp e o Parque Trianon, foram tomadas por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro na tarde deste domingo (3). Os manifestantes pediram anistia ao ex-presidente e aos condenados pelos atentados de 8 de janeiro de 2023, defenderam as tarifas impostas ao Brasil pelo governo Donald Trump e pediram o impeachment e a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O ato foi articulado por lideranças religiosas e parlamentares ligados à direita, como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Outras manifestações em apoio a Bolsonaro ocorreram simultaneamente em capitais como Brasília e Rio de Janeiro.

Comparecimento em queda

A adesão à manifestação foi visivelmente inferior a de eventos anteriores. De acordo com dados do Monitor do Debate Público no Meio Digital, da USP, o número de participantes caiu mais de 90% desde fevereiro de 2024, quando cerca de 125 mil pessoas ocuparam a Avenida Paulista. No ato deste domingo, os organizadores não divulgaram estimativa, e a Polícia Militar informou apenas que houve reforço de policiamento. A prefeitura de São Paulo não se pronunciou sobre o total de presentes.

Em 29 de junho, manifestação no mesmo local contabilizou 12,4 mil pessoas. Desde então, o comparecimento segue em declínio, em meio ao avanço das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado em 2023 — caso que já tornou Bolsonaro réu no STF.

Sem Bolsonaro nem Tarcísio

O ex-presidente não compareceu ao protesto. Ele está submetido a medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de sair de casa nos fins de semana. As restrições visam evitar risco de fuga e interferência nas investigações em curso. O governador Tarcísio de Freitas também não participou do ato.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), esteve presente, acenou ao público, mas não discursou.

Pauta americana e apoio a Trump

Além de pedidos de anistia e críticas ao STF, os manifestantes exaltaram o presidente americano Donald Trump e as tarifas de 50% anunciadas por seu governo contra produtos brasileiros. Bandeiras dos Estados Unidos foram erguidas, e cartazes expressavam apoio à imposição de sanções contra o ministro Moraes.

Parte do público também elogiou a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que desde julho se reúne com membros do Partido Republicano nos Estados Unidos. Segundo a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, o parlamentar atua como emissário do pai em articulações para pressionar o Judiciário brasileiro via governo Trump.

O pedido de anistia

A principal reivindicação do protesto foi a anistia ampla aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando sedes dos Três Poderes foram invadidas por manifestantes bolsonaristas com o objetivo de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. A Procuradoria-Geral da República aponta os atos como o desfecho de uma trama golpista iniciada ainda em 2021, com ataques às urnas e ao sistema eleitoral.

Bolsonaro e outros sete aliados próximos são réus por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal deve julgar o grupo em setembro.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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