O governo dos Estados Unidos revogou nesta quarta-feira (13) os vistos de Mozart Júlio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e de Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo brasileiro. A decisão foi anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, chefe da diplomacia do governo Donald Trump, com base na atuação de ambos no programa Mais Médicos.
Mozart é o primeiro integrante da gestão Lula a ser alvo direto de sanções migratórias pela atual administração norte-americana. Até o momento, medidas similares haviam atingido apenas ministros do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República e seus familiares.
.@StateDept is also taking steps to revoke visas and impose visa restrictions on several Brazilian government officials and former PAHO officials complicit in the Cuban regime’s forced labor export scheme. Mais Médicos was an unconscionable diplomatic scam of foreign ‘medical… https://t.co/O1AiY948MK
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) August 13, 2025
Alegações e sanções
Rubio justificou a decisão como parte de uma política de combate àquilo que classificou como “esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano”. O programa Mais Médicos, criado em 2013 durante o governo Dilma Rousseff, foi alvo central da crítica. “O Mais Médicos foi um golpe diplomático inconcebível de ‘missões médicas’ estrangeiras”, publicou o secretário no X (antigo Twitter).
A nota oficial do Departamento de Estado afirma que também estão em andamento outras ações de revogação de vistos e imposição de restrições a ex-integrantes da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), que atuaram como intermediadores do envio de médicos cubanos ao Brasil.

Kleiman, também atingido pela medida, atuou em diferentes frentes de governos petistas, incluindo a Presidência da República e o Ministério da Saúde. Atualmente, é coordenador para a COP-30 na Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), além de ter exercido cargos na própria OPAS, onde intermediou ações relacionadas ao programa de cooperação médica.
Conexão com Cuba e repercussão política
A revogação dos vistos ocorre no contexto de endurecimento das medidas dos EUA contra o regime cubano. Rubio, que é filho de imigrantes cubanos e defensor histórico de sanções contra Havana, anunciou a ampliação das restrições migratórias a funcionários cubanos e indivíduos de terceiros países considerados cúmplices da política de exportação de mão de obra.
Em paralelo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) viajou a Washington e, em nota pública, endossou a decisão do governo Trump. “Nem ministros, nem burocratas dos escalões inferiores, nem seus familiares estão imunes”, escreveu, ao afirmar que a medida representa um aviso direto aos que “sustentam regimes autoritários”.
O programa Mais Médicos
Instituído para suprir a ausência de médicos em regiões de difícil acesso e periferias urbanas, o programa Mais Médicos chegou a contar com mais de 18 mil profissionais, dos quais quase metade eram cubanos. A presença desses estrangeiros, viabilizada por acordo com a OPAS, sempre esteve no centro de disputas ideológicas — intensificadas durante o governo de Jair Bolsonaro, que encerrou a parceria com Cuba em 2018.
Com o retorno do presidente Lula, o programa foi retomado e ampliado. Dados do Ministério da Saúde apontam que, atualmente, há 26 mil médicos vinculados ao projeto, sendo 22 mil brasileiros e 2.661 cubanos. Desde 2018, apenas os profissionais contratados a partir daquele ano permanecem ativos no programa.