A candidata a deputada federal por São Paulo, Sophia Barclay (PL), conhecida nas redes sociais como “Trans de Direita”, afirmou que já precisou de benefícios sociais do governo federal e negou ser contra programas de assistência. A declaração foi feita após a repercussão de dados que mostram que ela aparece como beneficiária de programas como o Bolsa Família e o Gás do Povo – enquanto já havia feito críticas públicas às iniciativas.
As informações sobre os benefícios foram divulgadas com exclusividade pelo Metrópoles na quarta-feira (19). Segundo os dados públicos consultados pela reportagem, Barclay aparece como beneficiária do Bolsa Família desde maio de 2018, quando tinha 18 anos e ainda morava no Rio de Janeiro. Os pagamentos estão vinculados ao Cadastro Único (CadÚnico), utilizado pelo governo para identificar famílias de baixa renda.
Além do Bolsa Família, há registro de benefício relacionado ao Gás do Povo em nome da candidata. O programa é voltado à população de baixa renda e busca ampliar o acesso ao gás de cozinha. Segundo os registros divulgados, Barclay recebeu benefícios dos programas ao longo dos últimos anos, com exceção de 2024, e os valores acumulados ultrapassam R$ 20 mil no período informado.
Críticas
Apesar de aparecer nos registros dos programas, Barclay passou a publicar críticas às políticas de assistência social principalmente a partir de 2025, quando intensificou a produção de conteúdo político alinhado à direita. Em uma publicação no X, em setembro daquele ano, ela criticou pessoas que comemoravam a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e relacionou os beneficiários do Bolsa Família à situação de pobreza.
“Tem gente que merece mesmo viver apenas de Bolsa Família e se contentar com pouco. Bando de porco”,
escreveu a candidata na publicação.
Dias depois, segundo os dados divulgados pelo Metrópoles, ela recebeu R$ 600 do programa.

As críticas também alcançaram o programa de auxílio para compra de gás de cozinha. Em outubro de 2025, Barclay questionou a necessidade da iniciativa e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria como objetivo “manter o povo na miséria”. Em julho deste ano, ela voltou ao assunto em um vídeo publicado no Instagram.
Proposta para beneficiários
Em outra manifestação durante a pré-campanha, Barclay chegou a defender mudanças nas regras do Bolsa Família. A proposta apresentada por ela previa que beneficiários considerados saudáveis e sem filhos menores prestassem serviços comunitários como condição para continuar recebendo o auxílio.
A candidata argumentou que a medida faria com que os beneficiários também contribuíssem para a sociedade.
“Não é justo que apenas o trabalhador sustente essa conta. Beneficiários do Bolsa Família que não possuem filhos menores também precisam contribuir com trabalho e serviços comunitários. Bolsa Família não é aposentadoria”, afirmou em uma publicação.

O que diz a candidata
Após a repercussão do caso, Barclay publicou uma série de vídeos nos Stories do Instagram, na tarde desta quarta-feira (19), para apresentar sua versão. Ela afirmou que precisou de auxílio em um período de vulnerabilidade e que não considera isso motivo de vergonha. Segundo ela, a crítica feita atualmente é direcionada às pessoas que, na avaliação dela, utilizam benefícios sociais sem buscar sair dessa situação.
Nos vídeos, Barclay afirmou que precisou do Auxílio Emergencial durante o período de crise provocado pela pandemia de Covid-19 e atribuiu ao governo Bolsonaro a possibilidade de ter conseguido se manter.
“Nunca jamais teria vergonha da minha história. Porque sim, precisei do Auxílio Brasil do presidente Bolsonaro”.
Ela também afirmou que passou por uma situação de vulnerabilidade ainda jovem e que chegou a ser expulsa de casa aos 16 anos. Barclay afirmou ainda que conseguiu melhorar de vida posteriormente e que, por isso, defende que os benefícios sejam utilizados como uma forma de apoio temporário.
“Eu não fiquei dependendo de benefícios sociais. Precisei, agradeço, sou grata. Precisei porque eu estava em uma situação de extrema vulnerabilidade”.
A candidata também negou que seja contrária aos benefícios e disse que sua crítica é direcionada a quem, segundo ela, teria condições de trabalhar, mas optaria por permanecer dependendo dos programas.
Nos vídeos, ela também acusou setores da esquerda de estarem tentando criar uma narrativa para prejudicá-la politicamente e afirmou que não tem vergonha de ter recorrido a programas sociais em um momento de dificuldade. “Eu não tenho vergonha da minha história”, declarou. A candidata disse ainda que pretende defender políticas que ajudem pessoas em situação de vulnerabilidade a buscar qualificação e melhorar de vida.

Quem é Sophia Barclay
Sophia Barclay, de 26 anos, se apresenta nas redes sociais como “Trans de Direita” e anunciou a filiação ao PL para disputar uma vaga de deputada federal por São Paulo. Antes, ela integrava o Partido Novo, mas deixou a sigla após afirmar que manteria o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Além da atuação política, Barclay é influenciadora digital e também investe na carreira musical. Ela possui músicas publicadas no YouTube, entre elas “Supera” e “Sem Sentimentos”, e ganhou projeção nas redes ao produzir conteúdos sobre política e experiências pessoais.
A candidata também se envolveu em polêmicas com Flávio Bolsonaro e Neymar. Em 2023, o senador registrou um boletim de ocorrência por difamação após declarações feitas por Barclay, enquanto Neymar apresentou uma queixa-crime pelo mesmo motivo após ela afirmar, em entrevistas, que havia tido relações com o jogador e Pedro Scooby.
Barclay também já relatou ter sido expulsa de casa durante a adolescência e ter passado um período morando na rua. Em entrevista à Universa, em 2020, ela afirmou que começou a fazer lives para falar sobre vida pessoal.