Antes de colocar a pimenta no prato, vale uma pergunta: você é do time que mal encara uma biquinho ou daqueles que acham que “se não arder, nem tem graça”? A boa notícia é que existe uma pimenta para cada paladar. A má notícia é que algumas delas podem fazer qualquer corajoso pedir um copo de leite.
Elas dão cor, aroma, personalidade e, dependendo da escolha, podem até arrancar lágrimas (nem sempre de emoção). Presentes em cozinhas do mundo todo, as pimentas vão muito além da ardência: cada variedade tem um sabor, um perfume e um uso ideal.
Dá para medir a ardência da pimenta?
Segundo a nutricionista Cláudia Mulero, da Água Doce Sabores do Brasil, escolher a pimenta certa faz toda a diferença no resultado da receita. E existe até uma “régua” para medir o nível de fogo.
A famosa Escala Scoville mede a concentração de capsaicina, substância responsável pela sensação de ardência. A unidade utilizada é o SHU (Scoville Heat Units): quanto maior o número, mais forte é a pimenta.
Da mais tranquila àquelas reservadas para quem gosta de viver perigosamente, veja nove tipos de pimenta e onde elas brilham na cozinha.
O VTV News vai identificá-las das mais fracas (🌶️) à mais ardida (🌶️🌶️🌶️🌶️🌶️). Qual sua preferida?
🌶️ Biquinho: a porta de entrada

Se você foge de comida muito apimentada, a biquinho é praticamente um abraço. Tem sabor levemente adocicado, quase nenhuma ardência e fica perfeita em conservas, saladas, petiscos, tábuas de frios e até na decoração dos pratos.
🌶️ Dedo-de-moça: a queridinha dos brasileiros

É provavelmente a mais democrática da lista. Tem picância moderada, sabor levemente frutado e combina com praticamente tudo: molhos, geleias, carnes, peixes, aves, caldos, farofa e vinagrete.
🌶️ Pimenta-de-cheiro: mais aroma do que fogo

Muito usada no Norte e Nordeste, entrega um perfume marcante sem necessariamente incendiar o paladar. É excelente para peixes, frutos do mar, caldos, ensopados, pratos amazônicos, legumes refogados e conservas.
🌶️🌶️ Jalapeño: a estrela da culinária mexicana

Tem ardência média e sabor marcante. Verde, é mais fresca e herbácea; madura, ganha notas adocicadas. Vai muito bem em tacos, nachos, hambúrgueres, burritos, conservas e recheios. Quando é defumada, vira o famoso chipotle.
🌶️🌶️ Malagueta: pequena no tamanho, gigante na picância

Não se engane pelo tamanho. A malagueta é uma das mais tradicionais da culinária brasileira e aparece em moquecas, feijoada, molhos, carnes, peixes e petiscos. O sabor intenso vem acompanhado de um aroma marcante.
🌶️🌶️ Caiena: potência em forma de pó

Muito encontrada na versão moída, a caiena tem sabor intenso e levemente terroso. É ótima para marinadas, sopas, caldos, carnes, legumes assados e misturas de especiarias. O segredo é usar com moderação.
🌶️🌶️ 🌶️ Habanero: perfume tropical, calor intenso

Ela chama atenção pelo aroma frutado e pela ardência elevada. É bastante utilizada em molhos, marinadas, conservas e receitas da culinária mexicana e caribenha, além de pratos agridoces.
🌶️🌶️ 🌶️ 🌶️ Ghost Pepper: para quem gosta de emoção

Também conhecida como Bhut Jolokia, já figurou entre as pimentas mais fortes do planeta. Tem sabor frutado com um leve toque defumado, mas a fama vem mesmo da intensidade. Costuma aparecer em molhos extremamente picantes, temperos e conservas artesanais.
🌶️🌶️ 🌶️ 🌶️ 🌶️ Carolina Reaper: a chefona da ardência

Se a ideia é testar os limites do paladar, ela é candidata forte. Desenvolvida nos Estados Unidos, a Carolina Reaper ficou conhecida mundialmente pelo nível extremo de picância. O sabor começa até frutado, mas logo dá lugar a uma verdadeira explosão de ardência.
Por causa da alta concentração de capsaicina, especialistas recomendam usar quantidades mínimas e até manuseá-la com luvas para evitar irritações na pele e nos olhos.
Afinal, qual escolher?
Não existe resposta certa. Para quem está começando, biquinho e dedo-de-moça são apostas seguras. Se a ideia é dar personalidade aos pratos sem exagerar, jalapeño, pimenta-de-cheiro e malagueta cumprem bem o papel. Já habanero, ghost pepper e Carolina Reaper são indicadas apenas para quem realmente aprecia sabores extremos.
No fim das contas, a melhor pimenta é aquela que valoriza o prato e não a que faz você correr desesperado atrás de um copo de leite.